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Lula usa ministros para tentar atrair André Mendonça para a arena política

Com crise fabricada sobre a PF, reunião de 'conciliação' promovida por Jorge Messias e Wellington Silva é vista como armadilha por aliados do ministro

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 ago 2026, 10h45 | Atualizado em 7 ago 2026, 11h04
Lula usa ministros para tentar atrair André Mendonça para a arena política Priorizar nos meus resultados Google

Vazada por aliados de Lula nesta quinta, a conversa de ministros do governo com o ministro André Mendonça tem, na avaliação de integrantes do STF, a intenção de arrastar para a arena política — desqualificando futuras decisões — o relator das investigações do caso Master, das fraudes do INSS e do escândalo de lobby envolvendo Lulinha no STF.

Antes de Lula e seus aliados entrarem em cena, a suposta crise envolvendo Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, era tratada na esfera técnica — até porque não há fatos a comprovar que ele atue politicamente no cargo. Havia uma constatação básica: todas as investigações na corporação andavam, menos a que envolvia o filho de Lula.

As trocas de investigadores no curso da apuração contra Lulinha, a ausência de estrutura para garantir o andamento da apuração e a relutância em atender decisões judiciais são questões objetivas e procedimentais.

Nos últimos dias, aliados de Lula criaram um verdadeiro caos em torno do tema, espalhando suspeitas sobre a atuação de Mendonça no caso Lulinha. Também lançaram novas narrativas, como a investigação de supostos vazamentos no caso do filho do presidente. E conseguiram algo raro no STF: mudar uma jurisprudência do tribunal, ao estabelecer que Lulinha seja investigado por dois relatores por um mesmo suposto esquema.

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Mendonça já havia sido sorteado e era o relator prevento. Mas a multiplicação de inquéritos contra Lulinha — divididos pelos clientes desse balcão de tráfico de influência e não pela conduta supostamente criminosa do filho do chefe do Planalto –, fez com que Flávio Dino fosse também sorteado relator no STF.

Com o tumulto estabelecido nas investigações contra Lulinha, foi a vez de uma carta de superintendentes da PF lançar em cena o suposto atrito institucional. Como se a questão em discussão não fosse a série de ações incomuns nas investigações contra petistas, os ministros de Lula atraíram Mendonça para uma espécie de “conciliação” com o governo, algo raro na postura do ministro, que sempre evitou concertações políticas sobre investigações.

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A reunião mediada por Jorge Messias, entre Wellington Silva e Mendonça, no TSE, serviu para alimentar rumores de “pacificação” entre Lula e o relator do caso Lulinha. Deu ao presidente ainda a narrativa de que ele é o maior interessado no andamento regular das investigações da PF.

Fosse isso verdade, Lula usaria seu poder para punir quem impede a PF de fazer seu papel e dificulta as investigações dos escândalos relatados pelo ministro Mendonça, e não o oposto.

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“Também não é preciso que o ministro do Supremo receba ministros do governo para registrar que a PF deve fazer sua obrigação: atuar de forma independente, sem servir ao político de turno. Um absurdo”, diz um ministro do Supremo, sob reserva.

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