Lula sacrifica debate do fim da escala 6×1 ao fazer populismo eleitoral com a proposta
Petista sabe que não há mais tempo para aprovar a matéria neste ano eleitoral nem maioria para isso no Congresso, mas o que importa é o discurso
Tentando estancar a queda de popularidade nas pesquisas, Lula decidiu vender terrenos na lua ao eleitorado.
O envio ao Congresso de um projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1, nesta semana, deu ao petista um discurso eleitoral — e só isso.
Candidato à reeleição, Lula não consegue oferecer um país com economia estável aos brasileiros — a gastança estatal eleva o endividamento do país e pressiona os juros e a inflação, corroendo a renda do trabalhador –, mas quer que eles trabalhem menos.
Lula sabe que a escala 6×1 não tem chances de ser aprovada no Congresso agora. Além de ser um ano eleitoral, em que parlamentares deixam Brasília para cuidar de interesses pessoais nos estados, o debate demanda um longo processo de discussão com setores da economia, fórmulas de compensação e transição de sistemas, sob pena de a questão acabar questionada nos tribunais.
O presidente foi alertado pelos próprios ministros do governo sobre isso. Ciente de que promete algo que não poderá cumprir, Lula posa de defensor da ideia já se preparando para culpar “as elites” e resgatar o “nós contra eles”, posando de herói impedido pelo “sistema” de aprovar a nobre causa.
Lula vai colocar a culpa no Congresso por não aprovar a matéria e passará a campanha prometendo implementar o fim da jornada, caso seja eleito para um quarto mandato. É um filme velho como foi praticamente toda a atual gestão petista.
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria enviaram dados ao Planalto mostrando que a medida custaria bilhões de reais ao já pressionado ambiente produtivo brasileiro, punindo principalmente os pequenos empreendedores. O setor de serviços seria atingido de forma ainda mais contundente.
Especialistas apontam ainda o risco de desemprego avançar, jogando milhares de brasileiros no universo informal dos trabalhos de aplicativo, onde não há jornada nem segurança trabalhista.
Uma discussão séria da proposta — se fosse essa a intenção de Lula — levaria meses no Parlamento e teria de envolver todos os setores impactados pelos custos da redução de jornada sem redução de salário.
Presidente da Câmara, Hugo Motta, um aliado de Lula no momento, disse que a Casa não irá discutir o projeto enviado pelo petista. Buscará tratar do fim da jornada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição, a famosa PEC. Para ser aprovada, uma mudança constitucional demanda muito mais tempo de discussão e um número muito maior de votos favoráveis para ser aprovada.
Ao alongar o debate por meio de uma PEC, Motta dá um jeito elegante de não sepultar a ideia, mas jogar o tema para a gaveta sem tirar, no entanto, o discurso eleitoral de Lula, hoje algo que flerta com típico estelionato em ano de campanha.
Em tempo, viajando pela Europa nesta semana, Lula defendeu, nesta sexta, na Espanha, o fim da jornada 6×1. Usou como exemplo a economia espanhola. Por aí se mede a seriedade do discurso do presidente.







