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Lula pede a Moro que atrase processo contra ‘exploração eleitoral’

Defesa do petista quer suspender prazo das alegações finais do processo do apartamento em São Bernardo do Campo para depois das eleições

Por Da redação - Atualizado em 30 Sep 2018, 22h18 - Publicado em 30 Sep 2018, 20h50

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao juiz federal Sergio Moro para que suspenda o prazo das alegações finais do Ministério Público Federal em ação penal envolvendo o Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo para depois das eleições. A defesa justifica que, em outra ação, a que envolve o sítio em Atibaia, Moro adiou o interrogatório final do petista para depois do período com o fim de “evitar a exploração eleitoral”.

Nesta ação penal, o ex-presidente é réu acusado de receber supostas propinas de 12,5 milhões de reais envolvendo a compra de terreno em São Paulo, onde, segundo a acusação, seria sediado o Instituto Lula (12 milhões de reais), e a aquisição de apartamento vizinho à residência do petista em São Bernardo do Campo, no edifício Hill House. A força-tarefa da Lava Jato sustenta que os imóveis foram comprados pela Odebrecht por meio de supostos laranjas, como o engenheiro Glaucos da Costamarques, primo do amigo de Lula, José Carlos Bumlai, e a construtora DAG. O petista nega as acusações.

Lula já foi interrogado e o processo entrou na fase de alegações finais, por determinação do juiz federal da 13ª Vara de Curitiba, no dia 14 de setembro. A defesa, no entanto, evoca outra decisão do magistrado, em outro processo, para pedir que a data-limite das alegações finais seja adiada.

No dia 15 de agosto, Moro suspendeu o interrogatório de Lula na ação penal que envolve o sítio em Atibaia. O magistrado da Operação Lava Jato afirmou que a alteração das audiências tem por objetivo “evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios”.

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As audiências estavam marcadas para datas entre 27 de agosto e 11 de setembro. Os interrogatórios agora devem ocorrer entre 5 e 14 de novembro.

Contra a exploração eleitoral, os advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Martins e Alfredo Ermínio Araújo Andrade pedem a Moro que o prazo para as alegações finais da força-tarefa da Lava Jato seja suspenso. “Ora, se este Juízo houve por bem adiar um ato de autodefesa – como é o interrogatório do aqui requerente – durante o processo eleitoral exatamente para, de modo prudente e adequado, se evitarem indesejáveis e espúrios usos políticos, o mesmo critério se mostra recomendável e adequado na espécie – para que também se obviem aqui efeitos colaterais indesejáveis extra judicium – a prática de atos de acusação durante esse mesmo período”.

“Coloque-se em destaque que de acordo com o despacho ora tratado o Ministério Público Federal irá apresentar suas alegações finais até 8 de outubro de 2018, um dia após o primeiro turno das eleições”, afirmam os advogados.

(Com Estadão Conteúdo) 

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