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Lula e Mujica querem grupo para pensar a integração

Por Daiene Cardoso

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Uruguai, José Mujica, discutiram hoje (17) a criação de um grupo de pensadores e líderes sociais visando a integração dos países da América Latina. Em encontro de duas horas com Mujica, que está de férias e viajou a São Paulo especialmente para visitá-lo, Lula falou sobre a situação da política no Brasil e no mundo e sobre sua confiança no governo da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Mujica, uma reunião a ser marcada futuramente no Uruguai selará a criação do grupo. “Queremos juntar pensadores e lutadores sociais que ajudem a definir o que poderia ser a matriz intelectual da política de integração da nossa América”, contou o uruguaio. Mujica argumentou que a integração é fundamental para a sobrevivência econômica dos países da América Latina. “Os povos não se dão conta da importância concreta para a sua própria vida que tem o fenômeno da integração. Tem que haver uma construção intelectual para que as pessoas possam atender e entender isso”, justificou.

Na opinião do presidente uruguaio, diferentemente da China, os países da América do Sul precisam estar juntos para enfrentar os novos desafios no cenário internacional. “Talvez a China não precise disso (integração) porque é um Estado multinacional que tem quatro mil anos, mas nós não”.

Emocionado, Mujica lembrou que durante os últimos séculos os países da América Latina lutaram uns contra os outros. “Passamos 300, 400 anos, todos um de costas para o outro olhando para a Europa ou para outro lado. Agora temos de olhar para nós. Essa é a preocupação do Lula”, disse o presidente, alegando preocupação com a continuidade do crescimento destes países. “O Mercosul está muito melhor que antes, mas poderíamos fazer muito mais e temos muito o que fazer”, considerou.

Para Mujica, a diferença desses países em relação àqueles que vivem um momento de crise é o crescimento, mas a dificuldade é vencer as barreiras institucionais. “Creio que na América do Sul estamos vivendo um momento que nunca vivemos historicamente, um grande respeito e um grande reconhecimento de todos os governos”, comemorou. Em sua visão, o momento atual é único. “Vi passar muita água nessa América Latina, conheci muita gente, vivi muitos momentos e, apesar de todas as dificuldades que a gente possa ter, nunca sonhamos ter uma América Latina que tenha a força que tem esta que estamos vivendo”.

No almoço com Lula, a presidente Dilma também foi tema da conversa. “Ficou muito claro o enorme afeto e confiança que Lula tem na presidente do Brasil, a qual ele vê como talentosa e está convencido de que o conjunto de obras e os desafios que tem o Brasil mais para a frente asseguram um cenário positivo para o País. É seguramente uma influência positiva para a América Latina”, afirmou.

O presidente do Uruguai contou aos jornalistas que veio ao Brasil exclusivamente para ver “um velho amigo”, “um velho lutador que está unido à sorte do Brasil e da América Latina”. O uruguaio admitiu que estava preocupado com a saúde do ex-presidente brasileiro. “Me preocupa muito porque Lula tem uma estatura que vai além do Brasil”, disse. Após o encontro, Mujica afirmou que encontrou seu amigo “fenomenal” com a mesma “perspicácia e alegria de viver de sempre”.