Lula diz que secretário de Trump é ‘latino-americano frustrado’ e ‘odeia o Brasil’
Presidente brasileiro afirmou que Marco Rubio, filho de cubanos, 'é um bolsonarista'
Em São José dos Campos, no interior de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 7, que o secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio, é um “latino-americano frustrado” que odeia países das Américas Central e do Sul. Os ataques ocorrem em meio às tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos aos produtos importados do Brasil.
“Ele (Trump) tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina. É um bolsonarista, que é o secretário de Estado, o Marco Rubio. Eu disse ao Trump: ‘Esse moço não gosta do Brasil’. Ele é um latino-americano frustrado. Ele é descendente cubano de Miami. Odeia Cuba, a Colômbia, o Brasil”, disse o petista. Lula ainda afirmou que Rubio “faz as coisas diferentes do que a gente conversa com o Trump”. Rubio nasceu em Miami e é filho de pais cubanos, que fugiram do regime ditatorial de Fulgêncio Batista na ilha caribenha em 1956 — três anos antes da chegada ao poder de Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos.
A relação entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto escalou para uma crise nas últimas semanas. Na terça, 4, os EUA revogaram o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, gesto interpretado como arbitrário pelo governo Lula e que fez aumentar o estresse institucional entre os dois países. A decisão, tida como grave e sem precedentes, não impede Viotti de continuar no país, embora não possa deixá-lo e depois voltar. O motivo alegado é a demora do governo em conceder o agreement (aceite) ao novo embaixador para o Brasil, o deputado da Flórida Daniel Perez, nomeado em 1º de junho. Filiado ao Partido Republicano, ele é ligado a Marco Rubio, o chefe do Departamento de Estado, que lidera uma cruzada contra a esquerda nas Américas e que recentemente incluiu o Brasil na lista de países que não são aliados, ao lado de Nicarágua e Cuba. O assunto foi tratado por VEJA na edição desta semana.
Em comunicado, o governo afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são “falsas” e classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis”. Também decidiu que adotará o princípio de reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos em resposta à revogação do visto da embaixadora Viotti, que em teoria pode continuar em Washington, mas, caso saia e retorne ao solo americano, precisaria de outro tipo de passaporte.
A medida do governo Trump foi anunciada dez dias após o Ministério das Relações Exteriores brasileiro negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado — apontados pelo jornal americano The Washington Post como integrantes de um plano para questionar o sistema eleitoral brasileiro. A viagem aconteceria no mesmo período de um evento com diplomatas estrangeiros no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial, colocou em dúvida a integridade das urnas eletrônicas.







