Lula critica IA no momento exato em que PL exibe vídeo falso de Jair Bolsonaro
Campanha de Flávio Bolsonaro apresentou imagem sinteticamente produzida do ex-presidente no telão durante convenção partidária
Um curioso alinhamento dos astros neste sábado, 25, fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticasse o uso de inteligência artificial pela oposição no exato momento em que o PL, durante a convenção partidária em São Paulo, exibia no telão um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro gerado por IA.
“Isso que vocês estão vendo não sou eu, é uma simulação da minha imagem e da minha voz feitas com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta em arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz”, declara o falso Jair Bolsonaro no vídeo. Na simulação sintética, o ex-presidente expressa apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho “Zero Um”.
Quase simultaneamente ao evento em São Paulo, Lula discursava, durante a convenção do PT em Campinas, sobre o crescente e disseminado emprego de IA pelas campanhas eleitorais de direita. “Talvez essa seja a primeira eleição do Brasil em que os adversários, por não ter propostas, vão usar inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram, para fazer promessas que eles não têm a capacidade de cumprir”, declarou o petista.
A exibição do “Bolsonaro de IA” tem grandes chances de virar caso de Justiça nos próximos dias. Primeiro, porque o uso de deepfakes — isto é, simulações de pessoas reais em situações que nunca ocorreram — que representem políticos reais foi vetado pela Justiça Eleitoral em 2026.
Segundo, porque o próprio Jair Bolsonaro, preso e condenado pelo Supremo Tribunal Federal, está proibido de se manifestar publicamente por qualquer canal, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Na última semana, o magistrado acionou a Justiça Eleitoral após Flávio ler, em um vídeo publicado nas redes sociais, uma carta escrita pelo ex-presidente — para Moraes, o ato viola as regras de custódia e configura propaganda eleitoral antecipada.







