Líder que denunciava desmatamento é morto no Pará

Por Da Redação - 25 out 2011, 17h02

Por Carlos Mendes

Belém – A polícia do Pará ainda não tem pista dos pistoleiros que mataram no sábado o líder de assentamento João Chupel Primo, 55 anos. Horas antes do crime, ele esteve na polícia para comunicar as ameaças que vinha sofrendo por denunciar grilagem de terras e exploração madeireira ilegal na Resex Riozinho do Anfrísio e na Floresta Nacional Trairão, entre os municípios de Altamira e Itaituba, no sudoeste do Estado.

Segundo a polícia de Itaituba, Primo forneceu detalhes sobre a atuação criminosa de madeireiros que devastam as florestas da região. As mesmas informações ele repassou para a Polícia Federal em Santarém e para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração das Unidades de Conservação que estão sendo invadidas pelos madeireiros.

A vítima estava em uma oficina mecânica na localidade de Miritituba quando dois homens chegaram, perguntando sobre o conserto de um veículo. Nesse momento, um dos homens sacou de uma arma e disparou tiro na cabeça de Primo, que caiu gravemente ferido, morrendo logo em seguida.

Publicidade

Além de Primo, que coordenava a comunidade católica de Miritituba, outras duas pessoas denunciam que também estão sendo ameaçadas por madeireiros. O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Polícia Federal que garanta proteção para os denunciantes. Os procuradores da República que solicitaram as providências informam que na quinta-feira passada a vítima e os outros ameaçados estiveram na sede do MPF, em Altamira, fornecendo nomes e os métodos de ação dos devastadores.

Para chegar à área de onde retiram a madeira, os criminosos utilizam uma estrada de acesso ao Assentamento Areia, que era liderado por Primo. A madeira é retirada à noite, quando não há qualquer fiscalização. Em média, 20 caminhões deixam o local todos os dias carregados com toras de alto valor no mercado internacional.

Uma operação do ICMBio, para reprimir os criminosos, foi iniciada, mas logo suspensa por falta de segurança para os agentes ambientais. Anteontem, um soldado do Exército chegou a trocar tiros com pistoleiros entrincheirados na mata. O militar ficou perdido na floresta por cinco dias. Sem o apoio do Exército, que saiu da área, a Polícia Militar não quis participar da operação.

Publicidade