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Legado de Jobs vai além da Apple

Steve Jobs, que morreu nesta quarta-feira, aos 56 anos, após uma longa batalha contra um câncer, obteve muito mais do que o renascimento da Apple, empresa que fundou e, depois, salvou da falência: com seus computadores, tocadores de MP3 e smartphones, inseriu a informática no cotidiano de milhões de pessoas.

A Apple estava à beira da falência quando Jobs retomou suas rédeas, em 1997, e tornou o grupo um dos mais bem-sucedidos do mundo. Mas seu legado vai muito além da empresa que criou, destacou o analista Michael Gartenberg, assinalando que a visão de Jobs colocou os dispositivos tecnológicos no dia a dia da população.

O impacto de Jobs começou na década de 70, quando, juntamente com Steve Wozniak, ele criou os primeiros computadores pessoais, os Macintosh. “O conceito de que um computador pode ser um objeto desejado pelo consumidor é dele”, explicou o especialista Charles Golvin.

Jobs criou máquinas fáceis de usar, equipadas com mouses e ícones para ativar programas ou abrir arquivos.

O carismático empresário também deixou sua marca nos filmes de animação: após comprar a Pixar, em 1986, quando teve que renunciar à Apple devido a uma disputa interna pelo poder, “redefiniu a ideia de que um desenho animado poderia ser feito no computador”, assinalou Gartenberg. Isso levou ao sucesso de “Toy Story” e “Carros”.

Jobs transformou ainda a indústria da música, com o tocador de MP3 iPod e a loja virtual iTunes. Antes disso, a indústria procurava uma forma de ganhar dinheiro vendendo música digital, e lutava para evitar a pirataria.

Com o iPod, a Apple proporcionou aos amantes da música uma nova forma de ouvi-las em qualquer lugar, e às gravadoras e aos artistas um canal controlado de distribuição de suas obras.

“Jobs reinventou o modelo econômico da música”, assinalou Gartenberg. “Não apenas conseguiu produzir um dispositivo de grande sucesso comercial, como o iPod, mas também a iTunes se tornou o distribuidor de música mais bem-sucedido do planeta.”

O ex-chefe da Apple também modificou os critérios do mercado de smartphones. Com o iPhone, ele iniciou a mudança para a informática portátil que as gigantes da internet Google e Facebook adotaram.

Antes do iPhone, os smartphones se baseavam “no teclado, não na tela”, lembrou Gartenberg. Embora já houvesse telefones com acesso à internet, o iPhone colocou esse serviço “à disposição do grande público”, acrescentou.

O último gadget da marca, o tablet iPad, foi apresentado por Jobs como “a chegada à era pós-PC”. “Jobs voltou a revolucionar a forma como o computador é utilizado”, destacou Golvin.

Jobs criou, inclusive, um novo modelo de distribuição, com as lojas Apple, que geram mais lucro por metro quadrado do que qualquer outro fornecedor de produtos de informática. “Ele sabia melhor do que ninguém vender tecnologia”, comentou o analista.

A Apple não foi a primeira no mercado de smartphones e tablets, mas soube como nenhuma outra tornar esses aparelhos atraentes. Com a magia de seu marketing, Jobs provocou longas filas nas lojas Apple durante o lançamento de vários produtos.

“Sua famosa distorção da realidade, e a capacidade de convencer as pessoas, são mais do que lendárias”, lembrou Golvin.