Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Lava Jato prende perito judicial acusado de atuar para empresas de ônibus

Segundo procuradores, Charles William recebeu quase R$ 5 milhões em propinas entre maio de 2012 e maio de 2015 para adulterar laudos ou influenciar colegas

Por Da Redação - Atualizado em 5 dez 2019, 13h40 - Publicado em 5 dez 2019, 13h25

O perito judicial Charles Fonseca William foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira, 5, pela Operação Expertus, um desdobramento das investigações da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro. Ele é acusado de receber dinheiro para atuar em benefício de empresas de ônibus e contra o governo do Rio, tanto em processos em que ele era nomeado perito judicial, como em ações em que era assistente técnico, mas intercedia junto a outros peritos.

O esquema foi revelado por colaboradores ligados à Rio Ônibus e à Federação das Empresas de Transporte do Rio de Janeiro (Fetranspor) e teve início com a delação premiada do doleiro Álvaro Novis, que operava propinas em nome da Odebrecht. Durante as investigações, os procuradores do Ministério Público Federal identificaram pagamentos em favor do perito no valor de 4,9 milhões reais, entre maio de 2012 e maio de 2015. Os registros dos pagamentos foram encontrados nas planilhas de Novis, que também atuou como operador financeiro da Fetranspor.

A operação Expertus, realizada hoje, foi realizada pelo MPF, em conjunto com a Polícia Federal, Receita Federal e autorizada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. De acordo com nota divulgada pelo MPF, as entregas eram realizadas com o codinome “Charles” no endereço do escritório do perito em Niterói. O MPF também informou ter identificado “inúmeras ligações telefônicas entre Charles William e o empresário de ônibus José Carlos Lavouras, que vive em Portugal, foragido da justiça desde a Operação Ponto Final.

“Também chamaram a atenção dos investigadores operações financeiras milionárias nas contas de Charles William, algumas realizadas por empresas com sócios “laranjas” ou offshores no Panamá, que reforçam os indícios de lavagem do dinheiro recebido como propina. A análise da Receita Federal sobre o patrimônio do perito, composto por imóveis de luxo, também indicou a possível omissão de rendimentos”, informa o MPF.

Publicidade

Segundo as investigações, um dos casos em que Charles William atuou favoravelmente às empresas de ônibus em troca de propina está relacionado a processos referentes à diminuição de tarifas das empresas intermunicipais, que tramitaram na Justiça Estadual no final dos anos 1990.

Por meio de dois decretos estaduais, houve redução em 15% das tarifas praticadas pelas empresas permissionárias de transporte urbano e intermunicipal. O Tribunal de Justiça do Rio declarou a nulidade da redução das tarifas intermunicipais, o que levou ao ajuizamento de mais de 100 ações das empresas de ônibus para reaver seus prejuízos. Nessas ações, informam os procuradores, foram realizadas perícias contábeis para definir o montante que cada empresa teve de prejuízo com a redução declarada ilegal.

Segundo os procuradores que assinam o pedido de prisão, há “práticas insistentes e sistemáticas de corrupção e lavagem de dinheiro, a partir de um agente que deveria estar a serviço do Estado e da Justiça, mas que na verdade pautava sua atuação em favor das empresas de ônibus em troca de vertiginosas quantias, utilizadas para custear uma vida de luxo e ostentação”.

(Com Agência Brasil)

Publicidade