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Justiça solta mulher do traficante Nem da Rocinha

Danúbia de Souza Rangel foi presa em novembro de 2011, 12 dias após a ocupação da favela pelas forças de segurança do Rio

Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, foi libertada pela Justiça do Rio. O juiz Marcello de Sá Baptista, da 14ª Vara Criminal, entendeu não haver provas contra ela. Conhecida como a “xerifa” da Rocinha, Danúbia respondia por crime de associação para o tráfico, previsto no artigo 35 da Lei 11.343/2006. Uma das alegações do juiz na sentença foi de que o inquérito policial não reuniu provas suficientes para incriminar Danúbia.

Ela estava presa desde o dia 25 de novembro, quando policiais do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) a encontraram na Rocinha. Horas antes de ser presa, ela foi ouvida na ouvida na 15ª DP (Gávea). No mesmo dia, à noite, a chefe de Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, ordenou a prisão. Não havia nenhum mandato contra ela, apesar de ter sido investigada por cinco inquéritos. O único pedido de prisão foi revogado em 29 de julho de 2011. Mas, com a ordem de Martha, o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto acabou por autuá-la com base em outras investigações. Por telefone, a chefe da Polícia Civil disse para o delegado “dar um jeito”. Dito e feito.

Danúbia ficou presa por associação para o tráfico, ou seja, alguém que se beneficia do dinheiro obtido ilegalmente. Esse tipo de prisão é mais fácil de ser revogada. Na ocasião, o delegado justificou encarcerar a “xerifa” pelo seu alto padrão de vida. “Ela recebe presentes, carro do Nem. Entendi por bem fazer o flagrante e não pedir a prisão (à Justiça). Associação não precisa ter mandado”, argumentou Carlos Augusto em novembro.

A ex-primeira-dama da Rocinha ficou detida na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nem foi preso no dia 10 de novembro, durante uma operação da polícia no entorno da favela, enquanto tentava fugir escondido em um porta-malas de um carro. A Rocinha foi ocupada no dia 13 de novembro pelas forças de segurança do Rio.

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