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Justiça nega pedido de regime semiaberto a ex-promotor que matou mulher

Igor Ferreira foi condenado a dezesseis anos e quatro meses de regime fechado pela morte de sua mulher em 1998

Por Da Redação 5 mar 2013, 10h18

O ex-promotor de justiça Igor Ferreira da Silva teve o pedido de progressão ao regime semiaberto negado pela 1ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté. Condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão em regime fechado pelo assassinato de sua mulher Patrícia Aggio então grávida de sete meses, Igor atualmente cumpre pena no presídio de Tremembé, interior de São Paulo. O crime ocorreu em junho de 1998.

De acordo com nota divulgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na segunda-feira, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, que negou o pedido, entendeu que o acusado insiste em negar a autoria do crime usando argumentos que não condizem com a realidade e que “o mérito não consiste unicamente na boa ou ótima conduta carcerária do postulante para um determinado período. O sentenciado deverá comprovar e convencer o Juízo que reúne condições hábeis para usufruir um regime mais favorável”.

Após ter a prisão decretada, em 2001, Igor ficou foragido por oito anos e entrou para a lista de procurados da Polícia Civil. O ex-promotor acabou sendo capturado somente em outubro de 2009, em São Paulo.

Sentença – Além da condenação, o ex-promotor perdeu o cargo público, pela morte de sua mulher, grávida de sete meses. Pela primeira vez na história, o Tribunal de Justiça julgou e condenou um membro do Ministério Público.

Patrícia Aggio Longo, que tinha 27 anos na época e estava grávida de sete meses, foi morta com dois tiros na cabeça, dentro do carro do casal, em frente a um condomínio em Atibaia, interior de São Paulo.

Durante todo o processo Igor alegou que ele e a mulher foram abordados por um assaltante na entrada do condomínio. O homem, armado, o teria obrigado a descer e seguiu com seu carro levando Patrícia, que mais tarde foi encontrada morta. Igor então teria corrido para pedir ajuda num posto policial, na Rodovia Fernão Dias.

Durante as investigações, a polícia acabou encontrando na casa do então promotor cartuchos de balas iguais aos achados no carro em que Patrícia foi morta. Para a Procuradoria-Geral de Justiça, o ciúme foi a evidência mais forte da autoria do crime. O promotor teria sido tomado pelo ódio ao descobrir que o filho esperado pela mulher não era dele. Durante a apuração de provas, o advogado de defesa pediu ao Tribunal de Justiça que os corpos fossem exumados para comprovar a paternidade de Igor e sustentar que não haveria motivo para o crime.

Peritos da USP (Universidade de São Paulo) atestaram por meio de exame de DNA que o bebê não era filho do promotor. A defesa apontou erros no laudo, mas a Justiça não autorizou a realização de novo exame.

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