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Justiça nega liberdade aos acusados de matar cinegrafista

Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza, que deflagraram o rojão que matou Santiago Andrade, continuarão presos até o julgamento do caso

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 25 abr 2014, 20h45

A Justiça do Rio negou o pedido de relaxamento de prisão dos dois acusados de matar o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade durante manifestação no Centro do Rio, em 6 de fevereiro. Os advogados de Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza argumentaram, durante a primeira audiência de instrução, no Tribunal de Justiça, que não havia motivo para manter os réus presos até o julgamento. De acordo com o juiz Murilo Kieling, no entanto, nenhum fato narrado durante a audiência alterou a situação da dupla que deverá ser mantida na prisão. Parentes e amigos dos acusados vaiaram o magistrado ao saberem do indeferimento do pedido.

Os acusados, que respondem pelos crimes de explosão e homicídio triplamente qualificado – por motivo torpe, impossibilidade de defesa e com uso de material explosivo -, chegaram ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio, no início da tarde. Com uniforme da Secretaria de Administração Penitenciária e algemas, Raposo e Souza não demonstraram qualquer reação no momento em que o magistrado negou o pedido de revogação da prisão.

“Não há dolo. Eles não tiveram a intensão de matar. O que existe é um fervor acusatório”, disse o advogado Walace Martins.

De acordo com a promotoria, no entanto, a dupla assumiu o risco de matar quando lançou o rojão. “Caio e Fábio assumiram o risco quando deflagraram o rojão que atingiu o trabalhador, que estava de costas e que não foi avisado que o artefato havia sido lançado. O que o Ministério Público pretende é que o caso vá para o Tribunal do Júri”, afirmou a promotora Isabela Pena Lucas. “Estou convicta das provas que foram produzidas e da participação da dupla na morte do cinegrafista”, disse a promotora, que se manifestou contra a revogação da prisão preventiva.

Testemunhas – Das 17 testemunhas convocadas para prestar depoimento na tarde desta sexta-feira, quatro foram ouvidas. Os delegados Maurício Luciano Almeida, titular da 17ª DP (São Cristóvão), e o adjunto Fábio Pacífico relataram como foi realizada a investigação do caso. Almeida chegou a traçar um perfil dos acusados e afirmou que Fábio seria “a cabeça pensante” e Caio, “a força bruta, o homem de ponta”.

Os outros dois ouvidos foram o administrador Carlos Henrique Omena da Silva, que trabalhava com Caio da Silva de Souza no Hospital estadual Rocha Faria, em Campo Grande, e o tenente do Batalhão de Choque Luis Alexandre de Oliveira, o primeiro policial a se aproximar de Santiago depois que ele foi atingido.

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“Quando ele caiu no chão, manifestantes foram se aproximando e agindo como se eu tivesse lançado o rojão que o atingiu. Precisei pedir reforço para poder socorrê-lo porque os manifestantes estavam dificultando o trabalho”, disse o tenente.

Em diversos momentos do depoimento do policial, amigos da dupla riram de forma debochada do que o policial narrava. Por mais de uma vez, o juiz pediu que a plateia não se manifestasse e chegou a dizer que todos seriam retirados do local.

Um integrante do grupo Mídia Ninja, que transmitia a audiência ao vivo – o que é proibido pelo Tribunal de Justiça – foi repreendido e convidado a se retirar da plateia por seguranças do TJ. De acordo com o tribunal, o manifestante estava transmitindo imagens das testemunhas, do magistrado e dos jornalistas que trabalhavam durante a audiência. Ele foi autorizado a retornar ao plenário, desde que interrompesse a transmissão.

Nova audiência – As testemunhas de acusação que não foram ouvidas nesta sexta-feira serão convocadas para prestar depoimento no dia 5 de maio, às 15 horas. Parte das testemunhas não foi convocada para esta sexta-feira devido a um erro da Secretaria de Segurança, que enviou ofícios aos policiais informando que deveriam comparecer ao TJ no dia 28, segunda-feira. Nove testemunhas de defesa também serão convocadas.

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