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Justiça nega liberdade a Lúcio Funaro, doleiro ligado a Cunha

Doleiro está preso desde julho no presídio da Papuda, em Brasília. Defesa pedia revogação da prisão ou aplicação de medidas alternativas a ela

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 10 nov 2016, 15h41 - Publicado em 10 nov 2016, 15h35

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10º Vara Federal do Distrito Federal, negou nesta quinta-feira o pedido de liberdade feito pelo doleiro Lúcio Bolonha Funaro, preso na Operação Sépsis, desdobramento da Operação Lava Jato, deflagrada em julho. A defesa de Funaro pedia a revogação da prisão preventiva dele ou a aplicação de medidas alternativas.

Funaro é réu por corrupção, lavagem de dinheiro, prevaricação e violação de sigilo funcional em aportes de fundos de investimento administrados pela Caixa Econômica Federal, como o Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS), em empresas. Os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba, e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também são réus nesta ação penal.

Vallisney Oliveira escreveu na ata da audiência de custódia com Lúcio Funaro nesta quinta-feira que “se mantém o contexto processual que embasou a decretação da prisão preventiva” e “não me parece aplicável, a par disso, qualquer medida alternativa à prisão preventiva do custodiado”. Apontado como operador financeiro de Cunha, o doleiro está preso no presídio da Papuda, em Brasília.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), cabia a Eduardo Cunha, Funaro e seu sócio, Alexandre Margoto, “fazerem contatos com os investidores em especial de Fundos na Caixa Econômica Federal para cobrança de ‘propinas’, que eram distribuídas a maior parte para Eduardo Cunha e em menor proporção para Lúcio Bolonha, Alexandre Margoto e Fábio Cleto, havendo também recebimento de dinheiro ilícito por Henrique Eduardo Alves”.

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À medida que as propinas eram pagas, dizem os investigadores, o ex-vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, que firmou acordo de delação premiada, era orientado a autorizar os investimentos do fundo às empresas. De acordo com as investigações do MPF, houve pagamento de propina em ao menos sete projetos, incluindo o Porto Maravilha, construído por OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia no Rio de Janeiro com investimento de 3,5 bilhões de reais pela Caixa.

Em entrevista escrita a VEJA em julho, quase um mês depois de ser preso, intermediada pelo advogado Daniel Gerber, Lúcio Funaro disse que pretende colaborar com os investigadores da Operação Lava-Jato. “Sem dúvida estou aqui para colaborar”, disse, rejeitando, porém, assumir o papel de delator. “Só delata quem cometeu o crime, e eu não cometi”.

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