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Justiça decide manter Marcola no ‘cárcere duro’ por 1 ano

Esta é a primeira vez desde os ataques de 2006 que a promotoria consegue a punição disciplinar máxima para a cúpula da facção criminosa

Por Eduardo Gonçalves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 fev 2017, 20h58 | Atualizado em 4 jul 2026, 11h48
Justiça decide manter Marcola no ‘cárcere duro’ por 1 ano Priorize VEJA no Google

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu na última sexta-feira manter onze líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre eles Marcos Herbas Camacho, o Marcola, por um ano no chamado cárcere duro. Isso significa que eles ficarão presos no regime disciplinar diferenciado (RDD), onde têm direito a apenas duas horas diárias de banho de sol e duas visitas por semana, na Penitenciária de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, até fevereiro de 2018. Esta é a primeira vez que o Ministério Público e a Polícia Civil do Estado de São Paulo conseguem a punição disciplinar máxima à cúpula do PCC desde 2006, quando houve uma série de atentados contra as forças policiais.

Em dezembro do ano passado, a Justiça já havia determinado a transferência deles por 60 dias — esse prazo venceria nesta semana. Em 2014, Marcola ficou no cárcere duro por um mês após a descoberta de que o grupo criminoso planejava fugir do presídio com dois helicópteros, um com as cores da Polícia Militar. Na ocasião, o governo de São Paulo chegou a pedir a internação no RDD pelo tempo máximo (360 dias), mas teve a solicitação negada pela Justiça.

Na decisão desta sexta-feira, a Justiça levou em conta as provas levantadas na operação Ethos, que denunciou e levou para atrás das grades o núcleo jurídico do PCC, formado majoritariamente por advogados que, segundo a polícia, desempenhavam diversas funções na facção, como pagar propina a agentes corruptos, transmitir recados para fora da cadeia e cooptar representantes de ONGs dos direitos humanos. Segundo os investigadores, algumas ações foram coordenadas de dentro das penitenciárias pelos chefes do grupo.

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“Enfim, o representado (Marcola) apresenta alto risco para a ordem e a segurança em estabelecimento penal. Sua permanência em regime comum garante-lhe a liderança e concorrência para a prática de infrações penais no mundo exterior, por integrar organização criminosa”, escreveu o juiz Paulo Sorci, da 5ª Vara de Execuções, na decisão.

Além de Marcola, tiveram a punição prorrogada Paulo César Souza Nascimento Júnior (Neblina), Daniel Vinicius Canônico (Cego), Paulo Pedro da Silva (Beiço), Eric Oliveira Farias (Eric Gordão), Paulo Felipe Esteban Gonzalez (Teco-teco), Márcio Domingos Ramos (Gaspar), Airton Ferreira da Silva (Tico preto) e Cleber Marcelino Dias dos Santos, Valdeci Francisco Costa (Circuito integrado) e Antonio José Muller Júnior (Granada).

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“Para nós, isso foi uma vitória. Há anos tentamos colocar o líder máximo do PCC no RDD”, disse o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que investiga a facção há anos.

O promotor também afirmou que as autoridades estão preparadas caso ocorra alguma tentativa de retaliação à decisão de manter os chefões na “tranca dura” — este foi um dos motivos que levou o grupo criminoso a promover os ataques de 2006. “A tensão sempre há. É preciso ter atenção na hora em que a massa carcerária ficar sabendo da decisão. Mas nós não vemos risco nenhum de desordem pública. Nosso serviço de inteligência está preparado”, disse Gakiya.

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Leia mais: PCC S/A: a gestão empresarial do crime

 

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