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Justiça determina reintegração de posse de terreno invadido próximo ao Itaquerão

Área ocupada por 2.000 famílias terá que ser desocupada em até 48 horas. Movimento pressiona vereadores e vai recorrer da decisão

Na quarta-feira, a Justiça de São Paulo determinou a reintegração de posse do terreno invadido em Itaquera, na Zona Leste da capital paulista. A ocupação, batizada de ‘Copa do Povo’, começou a ser erguida no sábado. A área fica a apenas quatro quilômetros do estádio Arena Corinthians, o Itaquerão, que será o palco de abertura da Copa do Mundo. No despacho que determina a reintegração, solicitado pela construtora Viver Empreendimentos, dona da área, o juiz Celso Maziteli Neto, do Fórum de Itaquera, aciona a Polícia Militar e diz que as cerca de 2.000 famílias que montaram barracos no local têm 48 horas para fazer a “desocupação voluntária” do terreno. A área possui 155.000 metros quadrados.

As famílias que estão assentadas no terreno prometem resistir à ação. Eles alegam que o valor do aluguel na área aumentou cerca de 350 reais entre os meses de janeiro e março deste ano. Segundo os assentados, a escalada no preço dos aluguéis se deve a realização da Copa do Mundo.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, afirma que a área era degradada. “Isso aqui (terreno) só servia para uso de drogas, assaltos, estupros, descarte de carros e desova de cadáveres”, afirma. O MTST entrou na quarta-feira com recurso no Fórum de Itaquera, pedindo ao juiz Maziteli Neto que reconsidere a decisão de reintegração de posse.

Caso as famílias que invadiram o terreno se neguem a sair, a polícia militar terá de montar uma operação para realizar a reintegração, sem prazo determinado.

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A empresa dona do terreno, a Viver Empreendimentos (antiga Inpar), avalia que a área em Itaquera, no valor de 580 milhões de reais, era reservada para a construção de prédios residenciais. O prefeito Fernando Haddad (PT) já sinalizou que poderá adquirir a área para a construção de moradias populares do Programa Minha Casa, Minha Vida.

A gestão Haddad deve transformar o local em uma zona de interesse social, por meio de emenda incluída na segunda votação do Plano Diretor. Dessa forma, como seria obrigada a construir só conjuntos da Cohab ou do programa Minha Casa, Minha Vida no local, a empresa seria obrigada a reduzir o valor estimado para o terreno.

O MTST promete pressionar os vereadores, a partir da próxima terça-feira, a incluir emenda para que a mudança no terreno possa ser feita.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto é um braço do MST. Como já mostrou VEJA em diversas reportagens, o MST é comandado por agitadores profissionais que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, se valem de uma multidão de desvalidos como massa de manobra para atingir seus objetivos financeiros. Sua arma é o terror contra fazendeiros e também contra os próprios assentados que se recusam a cumprir as ordens dos chefões do movimento e a participar de saques e atos de vandalismo. Com os anos, o movimento passou por um processo de mutação. Foi-se o tempo em que seus militantes tentavam dissimular as ações criminosas do grupo invocando a causa da reforma agrária. Há muito isso não acontece mais. Como uma praga, o MST ataca, destrói, saqueia – e seus alvos, agora, não são mais apenas os chamados latifúndios improdutivos.

(Com Estadão Conteúdo)