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Justiça descarta punir petistas por vídeo de Lula com dez dedos — veja argumentos

Desembargador analisou uso de inteligência artificial em vídeo de apoio à reeleição do governador do Ceará

Por Daniel Gullino Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 16h30 | Atualizado em 26 ago 2026, 17h58
Justiça descarta punir petistas por vídeo de Lula com dez dedos — veja argumentos Priorizar nos meus resultados Google

A Justiça Eleitoral decidiu que não há irregularidades no vídeo, divulgado por petistas do Ceará, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com dez dedos.

A decisão ocorreu após os políticos admitirem uso de ferramentas de inteligência artificial na edição da postagem. O relator considerou, contudo, que isso não era suficiente para exigir o rótulo de IA ou para configurar um conteúdo sintético (deepfake).

O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, o senador Camilo Santana, ambos do PT, e o ex-secretário da Casa Civil Chagas Vieira (PDT) publicaram, em julho, um vídeo em apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), no qual ele surge ao lado do presidente.

A peça mostra Elmano em várias situações, com transições artificiais, inclusive com o governador se “transformando” no presidente em certo momento. É nesse momento que Lula “recupera” o dedo perdido em acidente de trabalho nos anos 1960.

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O PL solicitou a remoção da postagem, mas o desembargador Francisco Luís Rios Alves negou o pedido. Para o magistrado, foram usadas apenas “técnicas convencionais de edição audiovisual” e não foi apresentado “qualquer elemento técnico mínimo que ampare a alegação de manipulação sintética”.

O partido recorreu, destacando a mão com dez dedos e um momento em que a imagem de Elmano aparece duplicada. O desembargador, então, pediu esclarecimentos.

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Em resposta conjunta, a defesa dos três políticos argumentou que o vídeo foi feito a partir de imagens reais, e que as ferramentas foram utilizadas apenas para criar “transições fluidas e suavizadas entre fotografias e gravações reais, de modo a evitar cortes bruscos e conferir dinamicidade ao material impresso e digital”.

A cena em que Lula aparece com dez dedos foi definida como “mero erro incidental de processamento gráfico, comumente denominado pela literatura de tecnologia de informação como ‘alucinação’ de inteligência artificial”.

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As explicações foram consideradas suficientes, e a ação foi rejeitada.

“A imperfeição na mão do Presidente da República, assim como a duplicação transitória da imagem de Elmano de Freitas, não veiculam afirmação política, fato eleitoral ou mensagem informativa suscetível de induzir racionalmente o eleitorado a acreditar em acontecimento, fala ou adesão inexistente”, afirmou Francisco Luís Rios Alves.

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Para o magistrado, “são artefatos incidentais do processamento visual e, nas circunstâncias provadas, não desnaturam o enquadramento do procedimento como ajuste técnico de pós-produção”.

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