Justiça de São Paulo condena ex-vendedora por extorsão e stalking contra empresa
Tatiane Aline Marian, que está presa preventivamente, foi condenada por crimes cometidos contra a doTerra, multinacional de óleos essenciais
Uma mulher de 36 anos, moradora do estado de Santa Catarina, foi condenada pela Justiça de São Paulo pelos crimes de extorsão e stalking (perseguição virtual) contra a empresa multinacional doTerra, que comercializa óleos essenciais. A sentença da 10ª Vara Criminal do fórum da Barra Funda, na capital paulista, impôs uma pena de cinco anos e seis meses de prisão para Tatiane Aline Marian. Ela está presa preventivamente em Joinville desde o dia 25 de novembro do ano passado.
O caso dela está em segredo de Justiça. Tatiane foi revendedora dos óleos da doTerra, que opera por meio de um sistema de marketing direto: os representantes adquirem os produtos e revendem, além de trazerem outros vendedores para a marca. Em agosto de 2023, Tatiane, que morava em Florianópolis, foi descredenciada da empresa, sob o argumento de que ela estaria “prometendo curas” por meio do uso dos óleos.
Não concordando com o veredicto, a ex-vendedora começou a acusar publicamente a doTerra de funcionar como uma “pirâmide financeira”, um esquema que é ilegal. Ela fez diversas publicações nas redes sociais criticando a companhia e acusando seus membros de uma série de delitos. Por conta disso, vários perfis de Tatiane nas redes sociais foram derrubados por ordem judicial. O mais recente, do final de 2025, é o décimo quinto.
A empresa foi à polícia e disse que, além de stalking (o crime de perseguição virtual), Tatiane teria feito uma tentativa de extorsão da doTerra, exigindo uma alta quantia para parar de fazer as críticas públicas. Ela afirma que foi procurada primeiro pelos representantes da companhia para um acordo, mas a Justiça não ficou ao seu lado. A ex-vendedora foi condenada criminalmente pelos dois crimes apontados pela companhia (extorsão e stalking). Pelo tamanho da pena, ela poderia cumprir a condenação em regime semiaberto, mas isso depende do que for decidido no caso específico dela, porque podem incidir outras agravantes. “É o primeiro caso no Brasil, importante para consignar a todos que a internet não pode mais ser vista como terra sem lei”, afirma a advogada Vanessa Souza, mestre em Leis de Tecnologia pela Queen Mary University of London e que atuou como assistente de acusação da vítima no processo.
Tatiane está em prisão preventiva há oito meses. No próximo dia 30, ela completa 37 anos. A VEJA, o advogado Mauro Ferreira Fonseca, um dos que compõem a banca de defesa da ex-vendedora, disse que irá recorrer da sentença, levando o caso ao Tribunal de Justiça de São Paulo, e que o prazo de apelação ainda não começou a correr.







