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Justiça de Pernambuco libera presidente da OAS e outros executivos

Investigados por desvios na transposição do rio São Francisco, os empresários não ficaram nem cinco dias presos

Os executivos das empreiteiras Galvão Engenharia, Barbosa Mello, Coesa e OAS presos temporariamente na Operação Vidas Secas – Sinhá Vitória foram libertados na semana passada, poucos dias depois da deflagração da ação que investiga desvios de 200 milhões de reais nas obras de transposição do rio São Francisco.

Mario de Queiroz Galvão, presidente do Conselho de Administração da Galvão Engenharia, e Alfredo Moreira Filho, ex-representante das empreiteiras Barbosa Mello e Coesa, foram soltos no dia 14, três dias depois de detidos temporariamente, segundo o advogado Ademar Rigueira Neto. Elmar Varjão, presidente da OAS, que estava preso no Rio de Janeiro, ganhou liberdade na terça-feira, dia 15.

Varjão é o segundo presidente da construtora baiana preso em pouco mais de um ano. José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, foi detido em novembro de 2014 na 7ª fase da Operação Lava Jato. Em agosto, Pinheiro foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 16 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As prisões de Galvão, Moreira e Varjão eram temporárias, ou seja, tinham duração de cinco dias. O juiz federal Felipe Mota Pimentel de Oliveira, da 38ª Vara da Seção Judiciária de Pernambuco, no entanto, revogou as prisões antes que o prazo chegasse ao fim.

Vidas Secas – Sinhá Vitória – A operação investiga o superfaturamento de obras de engenharia em dois dos catorze lotes da transposição do rio São Francisco. Agentes da PF cumpriram no dia 11 de dezembro, ao todo, 32 mandados judiciais, sendo quatro de prisão, quatro de condução coercitiva e 24 de busca e apreensão. Cento e cinquenta agentes foram acionados em nove Estados – Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Brasília.

Os investigadores apuram se um consórcio formado pela OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Melo e Coesa utilizou empresas de fachada para desviar cerca de 200 milhões de reais das verbas públicas destinadas à transposição do rio, no trecho que vai do agreste pernambucano até a Paraíba. Os contratos investigados, até o momento, são da ordem de 680 milhões de reais.

Algumas dessas empresas laranjas estão em nome do doleiro Alberto Youssef e do lobista Adir Assad, que já foram condenados por envolvido no escândalo de corrupção na Petrobras. Os investigados responderão pelos crimes de associação criminosa, fraude na execução de contratos e lavagem de dinheiro.

O nome dado à operação faz referência ao personagem do livro de mesmo nome de Graciliano Ramos. Na obra, Sinhá Vitória é a mulher do vaqueiro Fabiano que o alerta sobre as trapaças do proprietário da fazenda onde ele trabalha. Apesar de terem alvos em comum, as apurações não são conduzidas pela força-tarefa da Lava Jato.