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Justiça de Pernambuco considera ilegal greve da PM

Saques e homicídios foram registrados nesta madrugada. Força Nacional e Exército já desembarcaram no Recife

O Tribunal de Justiça (TJ) de Pernambuco considerou ilegal a greve de bombeiros e policiais militares do Estado e determinou o retorno imediato dos grevistas, sob pena de multa diária de 100.000 reais. A medida foi anunciada pelo desembargador Frederico Neves no final da noite de quarta-feira. A decisão do TJ foi tomada depois que PMs e bombeiros rejeitaram a proposta de reajuste oferecida pelo governo. As informações foram divulgadas nesta quinta pelo jornal Diário de Pernambuco.

Tropas da Força Nacional e do Exército já foram acionadas para reforçar a segurança. Um voo repleto de soldados desembarcou no Recife por volta das 5h30. Os homens foram levados para o Centro Acadêmico do Exército e, de acordo com a Secretaria de Imprensa do Estado, devem estar nas ruas às 10h, ao lado de homens da Companhia de Operações e Sobrevivência em Área de Caatinga.

O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo é aguardado agora pela manhã e virá acompanhado do general do Exército que comandará a operação. Os grevistas pretendem realizar uma passeata pelo centro do Recife e realizam assembleia ao final da caminhada na frente do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual.

O envio das tropas da Força Nacional e do Exército tem o objetivo de frear a insegurança em Pernambuco, após a confirmação de que a greve continuará por tempo indeterminado.

Mortes – Pelo menos oito homicídios foram registrados na noite de quarta-feira e madrugada de quinta na Região Metropolitana do Recife. Seis pessoas foram assassinadas na capital, uma em Igarassu e outra em Moreno.

A prefeitura do município metropolitano de Abreu e Lima, cujo comércio foi alvo de arrombamentos e saques na noite de quarta-feira, decretou ponto facultativo na cidade diante da insegurança da população. Dezenas de pessoas saquearam caminhões de bebidas e salgadinhos na estrada, invadiram lojas e furtaram produtos. Um ônibus foi incendiado e um veículo dos Correios destruído. Até as 23h, a Polícia Civil prendeu doze pessoas, o que provocou a ira da população e um confronto com direito a bombas de efeito moral e gás de pimenta. À meia-noite, os saques continuavam.

No Recife, a população passou o dia em estado de alerta, agravado por um apagão que atingiu vários bairros.