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Justiça argentina condena carrasco da ditadura à prisão perpétua

Buenos Aires, 26 out (EFE).- Um tribunal de Buenos Aires condenou nesta quarta-feira o ex-militar Alfredo Astiz, de 59 anos, à prisão perpétua por crimes contra a humanidade cometidos na antiga Escola de Mecânica da Marinha (Esma), a maior prisão clandestina da ditadura argentina (1976-1983).

Conhecido como ‘Anjo louro da morte’, Astiz foi capitão da Marinha argentina e é um dos símbolos da repressão do país durante a ditadura. Ele foi considerado culpado pelo desaparecimento das freiras francesas Léonie Duquet e Alice Domon e de três fundadoras da ONG Mães da Praça de Maio, entre outras vítimas.

Cerca de 200 testemunhas prestaram depoimento durante 22 meses neste processo histórico, que julgou 18 réus, acusados por 85 crimes contra a humanidade.

A Justiça argentina condenou também à prisão perpétua Jorge Eduardo Acosta, conhecido como ‘El Tigre’, ex-capitão da Marinha argentina, chefe de Inteligência e chefe do Grupo de Tarefas da Esma, e o ex-capitão Ricardo Miguel Cavallo, conhecido como ‘Serpico’, ‘Marcelo’ e ‘Miguel Ángel’.

Cavallo foi detido em agosto de 2000 no México por ordem do juiz espanhol Baltasar Garzón e, após um longo processo de extradição, foi entregue à Justiça argentina em março de 2008.

Outros condenados à prisão perpétua foram Antonio Pernías, ex-capitão da Marinha, e Jorge Carlos Radice, ex-tenente da Marinha, ambos envolvidos no desaparecimento do jornalista Rodolfo Walsh.

Centenas de pessoas convocadas por organizações humanitárias comemoram em frente ao tribunal o anúncio das sentenças neste processo, considerado histórico por vítimas e parentes de vítimas da repressão militar na Argentina. EFE