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Juíza critica bate-boca em audiência do caso Henry: ‘Não vai virar circo’

Promotor e advogado de defesa discutiram durante depoimento de delegado, uma das testemunhas de acusação do processo

Por Cássio Bruno Atualizado em 6 out 2021, 15h31 - Publicado em 6 out 2021, 12h00

A Justiça do Rio de Janeiro ouve nesta quarta-feira, 6, as primeiras testemunhas de acusação no processo sobre a morte do menino Henry Borel, de 4 anos.

O ex-vereador da capital Jairo Santos Santos Júnior, o Doutor Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, a mãe de Henry, são acusados pela morte da criança na madrugada de 8 de março.

No início da audiência, houve uma discussão entre o promotor do Ministério Público, Fábio Vieira, e o advogado de Monique Medeiros, Thiago Minagé, que interrompeu o depoimento do delegado Edson Henrique Damasceno. No bate-boca, Thiago afirmou que Damasceno estava dando opiniões e não falando sobre os fatos do dia do crime. A juíza Elizabeth Machado Louro interveio. “Aqui não é CPI. Aqui a gente está para ouvir a testemunha. Isso aqui não vai virar circo!”, afirmou a magistrada.

Depoimento

Damasceno, delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), foi a primeira testemunha a falar. O policial foi ouvido por três horas e confirmou que Henry Borel chegou morto ao hospital. “A médica constatou rigidez de mandíbula assim que o menino chegou”, afirmou.

Segundo Damasceno, durante o depoimento na delegacia, Jairinho e Monique pediram pizza. “Eles se demonstraram à vontade. O Jairinho tentou ser engraçado num momento trágico”, ressaltou o delegado, que também confirmou que Monique tirou selfie na DP.

Damasceno também contou detalhes sobre as investigações. Ele narrou, por exemplo, agressões ocorridas contra Henry em 12 de fevereiro, quando a criança precisou ser levada para o hospital. Segundo o policial, não houve acidente doméstico na morte do menino.

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“No dia 12 de fevereiro, o Henry segurou no pescoço da babá para não entrar no quarto com Jairinho. A babá avisou a Monique, que estava no salão de beleza”, ressaltou Damasceno. “Ela (Monique) não tomou atitude de nada”, completou o delegado.

O delegado narrou que as agressões contra Henry ocorriam há pelo menos um mês antes da morte da criança. “Ficou demonstrado que a Monique sabia das agressões”, disse Damasceno.

Usando roupa de presidiária, um casaco de malha branco, Monique Medeiros acompanhou a audiência ao lado de seu advogado Thiago Minagé. De máscara e cabelos presos, ela assistiu ao depoimento em silêncio. Durante perguntas de sua defesa ao delegado, a acusado chorou na audiência. Parentes e amigos da família de Henry também acompanham a audiência.

Damasceno negou que a mãe de Henry estivesse sendo coagida pelo ex-vereador. “O que está absolutamente claro para mim é que ela mentiu. Ela mentiu e se mostrou, nas duas oportunidades que estava com ele, completamente à vontade com ele, estava como casal.” Depois de trocar de advogados durante o caso, Monique passou a sustentar a versão de que mentiu nas investigações por medo de Jairinho, que, segundo ela, a intimidaria.

Depois, a delegada assistente do caso, Ana Carolina Lemos, testemunha de acusação, depôs. Ela afirmou que Jairinho e Monique mentiram no inquérito policial e contou que, até a prisão do casal, os dois “estavam em plena harmonia”. A delegada destacou que conversas por mensagens de celular entre Monique e a babá Thayná revelaram uma rotina de violência contra o menino Henry.

Ana Carolina Lemos ressaltou ainda que Monique não foi coagida por Jairinho. Segundo ela, a mãe de Henry agiu por motivo financeiro.

Das doze testemunhas de acusações esperadas nesta quarta no Tribunal de Justiça do Rio duas não compareceram. São elas: Leila Rosângela de Souza Mattos, empregada de Jairinho e Monique; e Tereza Cristina dos Santos, cabeleireira que viu a ligação entre Monique e Henry no salão de beleza.

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