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Juiz teme que menor seja assassinado

Primo do jogador que assumiu ter participado do crime fazia parte da ala de agregados que frequentava a casa no Recreio e trocava favores com o atleta

Por Lucila Soares, do Rio, e Andréa Silva, de Contagem (MG) - 7 jul 2010, 20h08

Casa apontada pelo adolescente será submetida a testes com a substância luminol, para localizar vestígios de sangue

O adolescente de 17 anos, primo do goleiro Bruno, que fez diversas revelações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, de 25 anos, foi transferido da Delegacia de Homicídios do Rio, onde prestou depoimento, para o Departamento de Orientação e Proteção da Criança e do Adolescente (Dopcad) de Contagem. A polícia de Minas Gerais teme que o menor seja assassinado. A transferência foi determinada pelo juiz Elias Charbil Abdou Obeid, da Vara da Infância e Juventude do município, a pedido da Delegacia de Homicídios de Contagem, onde corre o inquérito sobre o desaparecimento da jovem. Em sua decisão, o magistrado considerou que “o menor está em situação de risco, podendo ser eliminado de forma a impedir a ação da polícia e da Justiça na completa elucidação do caso”.

O primo adolescente faz parte da turma de pessoas que passaram a conviver com o jogador depois que ele enriqueceu e ficou famoso. A família do menor mora num bairro pobre do município de São Gonçalo, perto de Niterói. Mas vivia indo e vindo ao Recreio dos Bandeirantes, onde Bruno comprou uma casa em um condomínio. O jovem prestava pequenos serviços ao primo rico, que pagava seus estudos e lhe dava uma ajuda de custo em torno de 800 reais por mês. Sua mãe ajudou Dayanne, mulher de Bruno, a cuidar dos filhos pequenos, também em troca de uma pequena remuneração.

O menor, assim como o resto dessa parte da família residente em São Gonçalo, frequentava a casa de Bruno na dupla condição de parente e empregado. O jovem primo do goleiro acabou se aproximando também de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Segundo seu próprio depoimento, foi ele quem desferiu, com uma arma pertencente a Macarrão, as coronhadas que feriram Eliza no percurso entre o Rio e Belo Horizonte, no início de junho, quando a jovem desapareceu.

O adolescente de 17 anos tornou-se o centro das investigações na terça-feira, depois que um homem que se apresentou como seu tio deu uma entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, informando que ele confessara ter participado do sequestro de Eliza. Na entrevista, foram dadas informações escabrosas. Bruno teria pago 3 mil reais a um homem chamado Cleiton, para que ele entregasse o corpo da moça a um traficante para que sumisse com ele. Segundo o homem, que disse ser motorista de ônibus e morador de São Gonçalo, o corpo teria sido “desossado” e os ossos, “concretados”.

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O rapaz foi apreendido na própria terça-feira, na casa de Bruno. O jogador abriu a porta para a polícia, apresentou o primo e, uma hora depois, saiu e não apareceu mais por lá. Na madrugada de quarta-feira, depois que a Justiça aceitou o pedido de prisão temporária do goleiro, os policiais voltaram ao condomínio, mas não encontraram mais ninguém.

Jovem indicou local onde estaria o corpo – Na tarde desta quarta-feira, o adolescente, que já tinha confessado a coronhada em Eliza e ter participado do seqüestro da jovem, levou a polícia de Minas ao local onde estaria o corpo da jovem. A casa no município de Vespasiano, pertence ao policial civil Marco Antônio Aparecido dos Santos. No local, foram encontrados dez cães – sete filhotes de rottweiler, dois cães adultos da raça e um vira-lata.

No quintal da casa do policial, foram feitas escavações em quatro pontos. Os policiais informaram que há forte odor, semelhante ao de corpos em decomposição, nas redondezas da residência. Os cômodos da casa serão submetidos a testes com a substância luminol – a mesma que indicou, na casa de Bruno e no Land Rover do jogador, vestígios de sangue que, nesta quarta-feira, foram confirmados como sendo de Eliza.

Depoimento sob suspeita – Apesar de considerar que há pontos coincidentes com a investigação, o chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, ainda vê com reservas o relato apresentado pelo menor. O momento em que a versão apresentada por ele veio à tona, no dia em que começaram as negociações para o depoimento dos principais acusados, soa estranho para o policial.

A versão do adolescente se comprova apenas em parte. O sangue encontrado no carro de Bruno atesta que, como ele afirma, Eliza sofreu uma agressão dentro do Land Rover. As datas, no entanto, são contraditórias com outros depoimentos e com elementos concretos em poder da polícia. Além disso, o depoimento prestado à polícia do Rio parece orientado a isentar o goleiro da participação direta na morte da ex-amante – o que ainda não foi descartado pela investigação.

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