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Jorge Esch: o inimigo oculto de Eduardo Paes

Presidente estadual do PTN é acusado de forçar venda de 'kit' para aprovar candidaturas a vereador. Fotografia mostra prefeito do Rio ao lado de Esch, em convenção do partido

Por Cecília Ritto 1 out 2012, 16h32

Pelo que afirma no vídeo obtido por VEJA, o presidente estadual do PTN no Rio, Jorge Sanfins Esch, não é exatamente um exemplo de liderança política. A gravação revelada pelo Radar On-Line no último sábado deixa claras as intenções de Esch ao formalizar apoio à candidatura de Eduardo Paes à reeleição: ele quer dinheiro. Mais precisamente, 200.000 reais para candidatos a vereador do PTN e 800.000 reais para ele próprio, a título de “reajuste” de jetons do período em que trabalhou para o município.

O problema do momento para Eduardo Paes está não na lisura das atitudes do presidente do PTN mas na consistência do que Esch tem afirmado, a partir da revelação da gravação. Os passos da negociação expõem o que, em última análise, é uma venda de apoio político.

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Paes nega reconhecê-lo como interlocutor. Uma fotografia, no entanto, anula essa linha de defesa. Na convenção de 30 de junho, citada por Esch em entrevista ao site de VEJA, estão lado a lado Eduardo Paes, Rodrigo Bethlem e o ex-chefe da Casa Civil do prefeito, Pedro Paulo. E o presidente estadual do partido, a quem Paes diz não reconhecer, é a figura central da foto.

Pedro Paulo é o responsável, segundo o presidente do PTN, pelo acerto de repasse de dinheiro para os vereadores. Já a negociação para a liberação dos 800.000 reais teria sido feita com outro cacique peemedebista, Jorge Picciani, derrotado na eleição para o Senado.

A partir da revelação da imagem, o fato de Paes desautorizar o presidente estadual do PTN passa a ser uma estratégia arriscada. Afinal, como o prefeito torna-se aliado de alguém que julga ser tão pouco confiável?

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Ainda no sábado, Paes disse reconhecer como interlocutor o presidente municipal do PTN, Paulo Memória. Esqueceu-se, porém, que Memória está afastado desde o começo de setembro. Mais: Memória não queria a coligação com o PMDB e chegou a ser escolhido, em convenção, candidato do PTN.

O próprio cenário interno no Partido Trabalhista Nacional torna a coligação algo incômodo para o PMDB de Paes. O PTN vive às turras, a ponto de ter desperdiçado o exíguo tempo de exposição para seus candidatos a vereador. O motivo: Paulo Memória foi afastado da presidência municipal do PTN logo após a convenção que tinha oficializado o seu nome como o candidato a prefeito. Durante o tempo que esteve longe, Esch assumiu os dois diretórios estadual e municipal do Rio de Janeiro e interferiu na propaganda eleitoral na TV.

Esch e Memória são inimigos políticos. A partir de agora, só aparece na propaganda de TV o grupo de candidatos ligado a Esch – um deles é médico particular dele. A insatisfação entre os outros postulantes a uma cadeira na Câmara dos Vereadores fez com que 40 deles, de um total de 68 candidatos, assinassem um documento pedindo providências da executiva nacional. Além de contestarem a aparição da TV, consideram-se “extorquidos”.

De acordo com o grupo, Esch avisou que o PTN só filiaria candidatos que comprassem um programa de computador, cujo módulo mais barato custa 100 reais, que sistematiza a eleição. Com medo de não conseguir uma legenda, os candidatos pagaram, pelo menos, a primeira parcela do programa.

A executiva nacional também não se entende com Esch e trava uma batalha para expulsá-lo do partido. No momento, é ele quem dá as cartas. E é com ele, como mostra a fotografia, que o PMDB tem jogado no Rio.

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