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Jean Wyllys defende federalização do caso Marielle Franco

Segundo deputado, objetivo da medida é evitar a participação e interferência de policiais envolvidos com o crime organizado nas investigações

Por Agência Brasil Atualizado em 16 mar 2018, 17h59 - Publicado em 16 mar 2018, 17h47

O coordenador da comissão externa criada na Câmara dos Deputados para acompanhar as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), defendeu nesta sexta-feira (16) que as investigações sobre o caso sejam federalizadas — procedimento proposto pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

“Acho um bom caminho, dado o grau de comprometimento de setores das polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro. Não estou dizendo — e é bom que fique claríssimo — que as duas instituições são corruptas. Estou dizendo que as duas instituições, no Rio de Janeiro e em todos os estados do Brasil, abrigam corruptos e pessoas com relações diretas com o crime organizado. Essa é a maneira do crime organizado manter seu braço no próprio estado”, disse o deputado.

Segundo o deputado, diante dos indícios de que as execuções sumárias tenham sido praticadas por agentes ligados às forças de segurança, “seja por quem ainda está dentro, seja por quem saiu e constituiu milícia”, ele defende a federalização pode ser um caminho “para termos lisura na investigação” e chegar aos culpados e suas motivações.

Segundo o deputado, diante do comprometimento e dos indícios de que as execuções sumárias tenham sido praticadas por “agentes ligados às forças de segurança, seja por quem ainda está dentro, seja por quem  saiu e constituiu milícia, a federalização pode ser um caminho para termos lisura na investigação e chegar àquilo que queremos, que é identificar claramente os culpados, as motivações, os mandantes para que sejam  devidamente presos”.

O grupo foi criado ainda ontem pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) a pedido de Jean Wyllys. De acordo com o deputado, a primeira reunião acontecerá na próxima terça-feira (20). Nela, os 11 deputados de vários partidos que compõe o colegiado irão discutir o plano de trabalho que será elaborado neste fim de semana.

A ideia é que a comissão externa funcione por meio de oitivas e diligências com as principais figuras e instituições envolvidas na investigação. “Queremos ouvir o chefe da Polícia Civil, o comandante da Polícia Militar, o interventor militar no Rio de Janeiro e, também, as Comissões de Diretos Humanos da Assembleia Legislativa e Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro”, disse Wyllys.

Diferentemente de outras comissões da Câmara, comissões externas não têm prazo de funcionamento. Ao final dos trabalhos será elaborado um relatório a ser entregue ao presidente da Câmara e às instituições ouvidas, com as conclusões do grupo. O documento poderá trazer sugestões de projetos de lei para aperfeiçoar a legislação no combate a crimes como o que tirou a vida da vereadora e de seu motorista.

Os deputados membros da comissão externa são: Jean Wyllys (PSOL-RJ), Érika Kokay (PT-DF), Jandira Feghali (PCdoB-RJ ), Jô Moraes (PCdoB-MG), Maria do Rosário (PT-RS), Reginaldo Lopes (PT-MG), Wadih Damous (PT-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Glauber Braga (PSOL-RJ), Luiza Erundina (PSOL – SP).

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