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Janot quer investigar vazamento de delação da Odebrecht

Em nota, Ministério Público Federal afirma que vazamento 'não auxilia' seus trabalhos

Por Da redação
11 dez 2016, 16h08

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitará abertura de investigação para apurar o vazamento para a imprensa de documento sigiloso que seria relativo à delação premiada de um dos executivos da Odebrecht.

“O vazamento do documento que constituiria objeto de colaboração, além de ilegal, não auxilia os trabalhos sérios que são desenvolvidos e é causa de grave preocupação para o Ministério Público Federal, que segue com a determinação de apurar todos os fatos com responsabilidade e profissionalismo”, diz nota do Ministério Público Federal (MPF), divulgada na noite deste sábado.

Na nota, o MPF voltou a expressar que todo documento de colaboração só tem validade jurídica após homologação pelo Supremo Tribunal Federal. A homologação é que torna possível que o material seja usado como prova e tenha cláusulas produzindo efeitos jurídicos para o colaborador.

Segundo reportagens atribuídas ao depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, o executivo teria citado nomes de 51 políticos, de onze partidos, que teriam recebido propina da empresa, entre eles o presidente Michel Temer. Melo era o responsável pelo relacionamento da empresa com o Congresso Nacional.

Na edição que chegou às bancas neste sábado, VEJA informa que Cláudio Melo Filho afirmou ter entregue parte dos recursos para a campanha em dinheiro vivo, em 2014, no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e conselheiro próximo de Temer. Em nota, na última sexta-feira, o Palácio Planalto negou as acusações de que o presidente Michel Temer teria solicitado valores ilícitos da empreiteira Odebrecht em meio à campanha à Presidência de 2014.

 

A Odebrecht, maior empreiteira do país, assinou um acordo de leniência, uma espécie de delação premiada de empresas, com a força-tarefa da Operação Lava Jato. No acordo, além de revelar práticas ilícitas cometidas por funcionários e diretores, a empresa compromete-se a pagar uma multa, cujo valor gira em torno de 6,8 bilhões de reais.

Em comunicado oficial, a Odebrecht pediu desculpas ao país e admitiu ter cometido “práticas impróprias” em sua atividade empresarial. “Desculpe, a Odebrecht errou”, diz o título do comunicado público. “Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética”, diz o comunicado da empreiteira acusada pelo Ministério Público Federal de participar do cartel que fraudava contratos da Petrobras.

(Com Agência Brasil)

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