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Jandira quer nova política de gestão da saúde

Quais problemas da cidade são mais urgentes e que medidas de curto prazo podem ser adotadas imediatamente para atacá-los?

O maior desafio da próxima administração do Rio será superar as crises nos setores de saúde e educação, que na atual gestão adquiriram caráter permanente. A questão mais grave é a saúde, porque afeta todos os moradores, especialmente os das áreas mais populares. Considero que a gestão atual de saúde no Rio de Janeiro, tem responsabilidade não somente pelas mortes na epidemia de dengue, mas também pela precariedade da assistência. Tenho encontrado creches e postos de saúde fechados em comunidades de baixa renda. É uma tristeza. De imediato, logo ao assumir, vamos implantar a nova política de gerenciamento da rede de saúde e a situação vai começar a melhorar, mas confesso que estou muito preocupada com o que pode acontecer no ano que vem, porque a gestão atual da prefeitura continua demonstrando total irresponsabilidade e desprezo pela vida, já que até agora não adotou nenhuma política de caráter preventivo para evitar nova epidemia no próximo verão. Hoje, o Rio tem o pior Programa de Saúde da Família de todo o Brasil, com menos de 7% da população atendida. Em Belo Horizonte, por exemplo, a cobertura chega a 89% e a cidade tem 2 milhões de habitantes. Há tanta coisa a ser feita no Rio de Janeiro, mas o prefeito é apenas virtual. Em vez de enfrentar os problemas, ele prefere passar o dia se divertindo na internet, como uma criança que ganhou um brinquedo novo.

Qual é a primeira medida que a senhora pretende anunciar assim que assumir o cargo?

Vou anunciar a nova política de gestão da saúde, que será minha maior responsabilidade. Sou médica, sempre trabalhei em hospitais públicos e conheço profundamente as necessidades do setor. O município é o gestor responsável pela saúde na cidade do Rio de Janeiro e a sociedade tem que cobrar isso. Assim, a prefeitura deve ser a coordenadora da integração das redes do município, do estado e do governo federal. Eu assumirei pessoalmente a responsabilidade e quero ser cobrada por isso. No Rio, se o gerenciamento da saúde for feito corretamente, com hospitais, maternidades e postos de saúde e programa de saúde da família funcionando em rede, será garantida a prevenção de doenças e evitada a superlotação nos hospitais.

Qual é o projeto que a senhora gostaria de ver implantado até o fim da sua gestão, mas admite que será muito difícil concretizá-lo?

Colocar toda a rede municipal de ensino funcionando em

tempo integral, num cronograma viável e qualificado, integrando cultura, esporte e inclusão digital. De início, nos bairros onde já existam quadras esportivas e outros locais apropriados, podemos fazer tempo integral com atividades extra-classe. Ainda no setor de educação, o que vamos fazer é acabar com as filas humilhantes para matrículas. É revoltante ver as mães passando dias e noites nas filas, todos os anos, lutando por uma vaga, quando a inscrição pode ser feita pela internet, estabelecendo postos de inscrição de demanda por bairro através das subprefeituras. Não dá para entender essa

situação, numa cidade que tem um prefeito sentado o dia inteiro diante do computador, mas se esquece de encontrar soluções digitais.

A prefeitura tem verba suficiente para a senhora implementar seus projetos?

Só podemos gastar o que dispomos. Não pretendemos aumentar impostos. Nossa equipe está avançando os estudos sobre as possibilidades do orçamento, mas, na verdade, primeiro teremos de fazer uma auditoria contábil na prefeitura. A princípio, acreditamos que haja recursos, porque a atual gestão se orgulha de ter dinheiro em caixa, gastando mais de R$ 500 milhões na Cidade da Música. Eu teria vergonha do nível de abandono da cidade e da evitável epidemia de dengue. No ano passado, o prefeito chegou a oferecer empréstimo ao governo do Rio Grande do Sul. É uma situação revoltante. Para administrar com parcimônia os recursos, queremos parcerias com os demais níveis de governo e com a iniciativa privada. Por exemplo: quanto à construção de quadras esportivas nas escolas e implantar o projeto segundo tempo e alcançarmos o tempo integral, vamos fazer convênios com o Ministério dos Esportes, que têm verbas específicas para isto.

O Rio tem muitos problemas, mas também qualidades. O que a senhora considera o ponto forte da metrópole e como dar condições para que se desenvolva ainda mais?

Além de sua beleza natural, o melhor do Rio de Janeiro é a sua gente, sempre acolhedora e festiva, que consegue sobreviver na adversidade e superar grandes dificuldades. Além disso, é a cidade do conhecimento e da inovação tecnológica. Para que se desenvolva ainda mais, torna-se necessário que o poder público crie as condições de reconquista do espaço público pelo cidadão. Essa é a

característica marcante do povo do Rio de Janeiro. Faz dos eventos nos espaços públicos a festa da democracia. É a permanente busca de integração entre o urbano e a exuberante natureza que nos cerca. Nos últimos anos, aumentou a fragmentação da cidade. A privatização dos espaços públicos foi uma política perseguida pela atual administração desde os meados dos anos 90. O abandono da cidade e o desrespeito para com a cidadania de uma prefeitura elitista, discricionária e autoritária.

Quanto a senhora pretende gastar em sua campanha e como vai custeá-la?

Registramos no TER o limite de R$ 6 milhões. Faremos uma campanha com muito apoio popular. Posso garantir que não aceitaremos apoios financeiros que comprometam a independência da gestão ou que tenham origem suspeita. Lutamos pelo financiamento público, mas, infelizmente, não foi aprovado no Congresso Nacional. Daremos total transparência à arrecadação e aos gastos, como inovamos pela internet em 2004 e 2006.

A senhora costuma freqüentar as praias do Rio? Se sente segura contra a ação de ladrões e tranqüila quanto à qualidade da água?

Sou uma pessoa de litoral e adoro praia, como também meus filhos. É uma diversão saudável, barata e democrática. É desconfortável e repulsivo viver qualquer clima de violência ou intimidação nesse espaço onde se divertem adultos e particularmente crianças. Mas diferentemente do que se divulga pelo Brasil, há poucos registros de violência nas praias cariocas. Quanto à qualidade da água, é dever da prefeitura e do governo do estado verificar a qualidade da água e das areias e vamos fazê-lo. Como já falamos acima, existe um problema de ordenamento do espaço público das praias. Eventos em demasia, animais passeando, o que é proibido e polui a areia. Esse é o resultado de uma prefeitura que não toma conta da cidade. A minha prioridade é devolver a cidade para os seus moradores, seja na praia, na rua, no trânsito, na escola e nos hospitais.

Como a violência tem afetado sua rotina na cidade? Já evitou algum evento ou mudou algum caminho no trânsito por precaução? O que pretende implementar nessa área na sua gestão?

Como qualquer cidadão que aqui vive, tenho a rotina afetada pela violência urbana, até porque já fui vítima de assaltos, roubo de carro e tive a filha adolescente assaltada. Além de todas ações de prevenção primária do delito, incluindo a guarda municipal que deverá ter foco na cidadania, vou construir uma base de dados digital, com monitoramento da cidade. Isso servirá de base para definir prioridade das ações da prefeitura no dia-a-dia da cidade. A integração dessas informações será feita por uma sala de situação, com computadores e telões para definir as regiões e as áreas que precisam de intervenção mais urgente e em que tipo de situação.

O salário de prefeito do Rio é de pouco mais de R$ 11 mil, provavelmente menos do que a senhora receberia exercendo sua profissão na iniciativa privada, mas com muito mais cobranças. Por que a senhora quer ser prefeita do Rio?

Depois de 22 anos de vida pública, mantendo o mesmo padrão de vida e sem crescimento de patrimônio incompatível com meus salários, afirmo que meu compromisso é com a cidade e seu povo. Minha história, os projetos construídos para o Rio, a determinação e garra para realizá-los são fatores que nos levaram à disputa. Mas a confiança e credibilidade do povo que recebi nos pleitos anteriores me estimulam e autorizam a buscar o comando das políticas da cidade e garantir a superação das dificuldades e fortalecer os vínculos com o local e o sentimento de pertencer ao lugar que vivemos. Sinto-me, como mulher e mãe, na obrigação de contribuir para

melhorar a qualidade de vida e recuperar a auto-estima do nosso povo e da nossa cidade maravilhosa.

A crise na área de saúde foi evidenciada com a epidemia de dengue no Rio. O que a senhora pretende fazer para equipar hospitais e postos municipais?

Vamos trabalhar com seriedade, usando com competência os recursos públicos para implantar o plano de carreira e impedir a ausência de médicos e de equipes de saúde em postos e hospitais. Equipar, garantir medicamentos e exames, além da central de regulação de consultas, exames e internação, incluindo pré-natal e maternidades . Vamos também integrar as policlínicas 24 horas à rede hospitalar, para o atendimento aos casos de emergência.

O que é preciso para que o Rio possa ser – de fato – uma cidade maravilhosa para se morar?

Ter projeto, vontade política, parcerias e relação democrática com a sociedade. É assim que se faz uma gestão avançada e competente.

Descreva como a senhora acha que será o Rio de 2028.

Acredito que será uma cidade bem melhor. Principalmente, porque vamos estabelecer um plano diretor, que será cumprido fielmente, que definirá um novo fundamento para o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro. Ele tem o seu marco básico na integração da cidade, combatendo a sua fragmentação. Isso significa a mudança das prioridades atuais da prefeitura. Assim: gestão integrada da saúde pública; escola com tempo integral e funcionando como centro da integração comunitária; transporte público sobre trilhos, integrado aos outros modais com tarifa também integrada; trens da Central transformados em metrô; recuperação do centro histórico e da região portuária do Rio de Janeiro, para a habitação, eventos

culturais e esportivos e de trabalho; transporte aquaviário na Baía de Guanabara e na integração da Barra da Tijuca ao centro da cidade; aumento da densidade demográfica no espaço da cidade do Rio de Janeiro, permitindo a utilização mais eficiente dos serviços públicos e da infra-estrutura urbana; a recuperação da centralidade logística da economia da cidade do Rio de Janeiro para a economia brasileira pela integração dos serviços portuários do Rio e de Itaguaí; transformação da cidade do Rio em uma cidade da ciência, da paz, da cultura e da alegria.

Como a senhora gostaria de ser lembrada pelas futuras gerações de cariocas?

Quero ser lembrada como a primeira mulher prefeita do Rio de Janeiro e que, com austeridade, competência e compromisso, contribuiu para integrar a cidade, melhorar a vida do povo, implementou políticas de defesa da vida e possibilitou a formação de cidadãos. Que governou para todos, mas principalmente para os que pouco ou nada têm. Que resgatou a auto-estima e aumentou a alegria. Que continuou a olhar para os filhos com orgulho e sentimento de missão cumprida.