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Investigações de fake news e atos antidemocráticos podem ser unificadas

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, diz que identificou o mesmo modus operandi nos dois inquéritos

Por Thiago Bronzatto 18 out 2020, 16h43

Duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) têm deixado apoiadores do presidente Jair Bolsonaro de cabelo em pé. A primeira, instaurada em março do ano passado, apura uma rede de propagação de fake news e de ameaças contra membros da corte. A segunda, iniciada em abril deste ano, tenta desmantelar um grupo de pessoas responsáveis por atos antidemocráticos. Os dois inquéritos, que atingiram aliados do governo, podem ser unificados — e assim ganhar mais força.

“Muitos investigados estão envolvidos em ambos os casos. O modus operandi é muito parecido. Desde o início, eu afirmava que, em um determinado momento, iríamos juntar essas duas investigações. E esse momento vem chegando”, disse a VEJA o ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator dos dois inquéritos.

De acordo com o magistrado, as investigações identificaram três frentes de atuações dos suspeitos. O primeiro núcleo era o operacional, em que as pessoas atuavam para repassar notícias falsas ou plantar manifestações contra o regime democrático. O segundo envolvia a participação de políticos, com o apoio de parlamentares. Já o terceiro era o braço financeiro em que já há sinais de um esquema complexo de lavagem de dinheiro e até de financiamento de campanhas eleitorais.

Nas próximas semanas, o ministro Alexandre de Moraes deverá receber um relatório da Polícia Federal com dezenas de depoimentos de testemunhas do inquérito de atos antidemocráticos e analisar se o caso deverá se fundir com a investigação das fake news. Na prática, isso significa que haverá maior concentração de esforços para identificar e punir os responsáveis por trás da rede de propagação de notícias falsas e de ataques ao STF.

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