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Intervenção de Bolsonaro na Petrobras custou cerca de 400 bilhões de reais

Presidente foi alertado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o efeito devastador de interferir na companhia estatal

Por Thiago Bronzatto Atualizado em 1 mar 2021, 10h00 - Publicado em 27 fev 2021, 12h39

A intervenção de Jair Bolsonaro na Petrobras teve um preço elevado. Insatisfeito com a alta do preço do diesel, o presidente decidiu trocar o comando da companhia, substituindo um economista por um general. O efeito dessa interferência foi devastador. A canetada, segundo estimativas da equipe econômicas, representou uma perda de cerca de 400 bilhões de reais em apenas dois dias. Esse valor envolveu a desvalorização dos papéis das estatais negociados na bolsa de valores, sendo 102 bilhões de reais somente da Petrobras, e o aumento das despesas com juros devido à piora da percepção dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil. “Era mais barato dar 100 bilhões de reais aos caminhoneiros”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, a um integrante da pasta.

Essa tragédia foi prevista por Guedes, conforme revelou reportagem de VEJA. Quando foi comunicado pelo presidente sobre a decisão de trocar a cúpula da Petrobras, o ministro alertou para a hecatombe que iria ocorrer no mercado. “Presidente, vai desmanchar. Vai ser um horror”, afirmou Guedes, segundo o relato feito a um integrante de sua equipe. Mas Bolsonaro bateu o pé e insistiu: “PG, você precisa acreditar. O nome é muito bom. O cara consertou Itaipu…Tomei facada, apanhei muito para chegar até aqui. Se eu tiver de errar, quero pagar pelos meus erros”. O ministro retrucou: “Tudo bem, o senhor tem voto. Eu não tenho. Agora, vai dar m…”. E deu.

A intervenção de Bolsonaro na Petrobras afugentou os investidores estrangeiros — que sacaram 9,2 bilhões de reais da bolsa de valores, sendo 6,8 bilhões de reais somente num único dia. Esse movimento incomodou Bolsonaro, que reclamou do comportamento do mercado. O presidente já disse em diversas oportunidades que uma estatal tem que ter uma visão social. Ao justificar a escolha do general da reserva Joaquim Luna e Silva para comandar a Petrobras, Bolsonaro destacou que o militar, quando estava à frente da usina hidrelétrica de Itaipu, chamou a atenção por fazer “coisas muito além do seu trabalho” como, por exemplo, a construção de duas pontes que liga o Brasil ao Paraguai.

A função social que o presidente espera de Luna e Silva na Petrobras vai além de um canteiro de obras. Sob pressão por causa da pandemia, Bolsonaro planeja segurar o  preço do combustível para evitar uma nova greve de caminhoneiros, que poderia paralisar o país, e uma alta desenfreada da inflação, que atingiria em cheio o bolso dos brasileiros em meio à crise da Covid-19.

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