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Inquérito do caso Amarildo pede indiciamento de dez PMs

Entre os acusados está o major Edson Santos, que comandava a UPP da Rocinha

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) recebeu na noite de terça-feira, 1º de outubro, o inquérito sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, que foi visto pela última vez no dia 14 de julho sendo levado por agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, onde morava. A Polícia Civil pede o indiciamento de 10 PMs, incluindo o major Edson Santos, que era comandante da UPP – hoje coordenada pela major Priscila Azevedo.

Todos os agentes são acusados de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Eles negam envolvimento no sumiço de Amarildo, e afirmam que ele foi liberado instantes depois de chegar à UPP. Mas as câmeras de vigilância que ficam em frente à unidade e poderiam confirmar a informação não estavam funcionando. A denúncia deve ser encaminhada pelo MP à Justiça nos próximos dias.

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No dia que o pedreiro desapareceu havia 13 policiais de plantão na UPP, e quatro deles conduziram o pedreiro em uma patrulha. O relatório da Divisão de Homicídios com os indiciamentos foi finalizado na semana passada, depois de duas testemunhas afirmarem que o major Edson Santos, ex-comandante da UPP, tentou corrompê-las para acusar o traficante Thiago Neris, o Catatau, da morte do pedreiro.

Os depoimentos das duas testemunhas – mãe e filho de 16 anos, moradores na Rocinha – ocorreram quase por acaso. O garoto foi atingido por um tiro de fuzil na perna em 25 de maio, ao tentar fugir de PMs da UPP que o acusavam de ligação com o tráfico. Ele teve alta hospitalar no dia 11 e foi levado pelos agentes que o escoltavam, por engano, para depor na 15ª Delegacia de Polícia (Gávea). O menor deveria depor na 14ª DP (Leblon).

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