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Inmet havia enviado alerta sobre chuva intensa no Rio

Já é a segunda vez neste ano que cariocas sofrem as consequências do mau tempo; ocupação de áreas de riscos agrava situação

Por Fernanda Nascimento 26 abr 2011, 14h04

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, na manhã de segunda-feira, um alerta para a Defesa Civil do Rio, avisando sobre a possibilidade de chuvas fortes e rajadas de vento. “Avisamos: ‘vai chover muito’. Mas pode ser que chova muito e não aconteça nada”, afirma o meteorologista Hamilton Carvalho. De acordo com ele, enquanto a tecnologia não avança na mesma velocidade que o risco, é impossível avaliar seu impacto.

E o impacto foi grande com o temporal da noite desta segunda-feira. Ruas e casas foram atingidas por alagamentos e uma pessoa morreu afogada. Isso mostra que, três meses depois que centenas de pessoas morrerem por causa das chuvas na região serrana do Rio, a capacidade de enfrentar fenômenos naturais como este continua aquém do desejado.

Os moradores de locais de risco são os que pagam o preço mais alto durante as chuvas. Na maior parte das vezes, não é possível prever a tragédia a tempo de retirar as pessoas de suas casas e evitar maiores transtornos. A meteorologia já consegue supor a intensidade da tempestade, mas não sabe dizer se ela vai se concentrar em uma região ou se espalhar pela cidade. A informação, é claro, faz toda a diferença. Na segunda, nas regiões que receberam alerta da Defesa Civil o índice pluviométrico ultrapassou os 40mm em uma hora. A Defesa Civil chegou a emitir um aviso sonoro alertando sobre a possibilidade de deslizamentos em onze regiões da cidade. Em locais como Borel, Formiga e Santa Terezinha, os moradores foram orientados a deixar suas casas e se dirigir a pontos de apoio. Na área da grande Tijuca, ainda há possibilidade de um deslizamento de terra.

Desde o início do ano passado, as chuvas no Rio de Janeiro já mataram quase mil pessoas. Se a impressão é de que o céu se voltou contra os cariocas, a realidade não é bem assim. “Chuvas como estas são comuns, ocorrem todos os anos”, afirma o meteorologista do Inmet. “Fenômenos extremos causam cada vez mais estragos por causa da intervenção do homem. É isso que provoca o desastre.”

Mais uma vez – Os transtornos causados pela chuva desta segunda são pequenos comparados às últimas tragédias que vitimaram o Rio de Janeiro durante o verão. Na madrugada do dia 1º de janeiro do ano passado, sete casas e um hotel foram soterradas em Angra dos Reis. Pouco depois, em abril, as chuvas destruíram dezenas de casas construídas em áreas de risco no Morro do Bumba, deixando dezenas de pessoas mortas.

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