‘Injustiça’, diz Deltan Dallagnol sobre proibição de fazer campanha mesmo com candidatura mantida
Ao Ponto de Vista, ex-procurador criticou decisão do TSE que o proíbe de usar fundo partidário, fazer propaganda e realizar comícios
Por Laísa Dall'AgnolA manutenção da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná, acompanhada da proibição de fazer campanha, criou, segundo o próprio candidato, uma situação que ele classifica como uma “injustiça”. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, o candidato do Novo afirmou que não consegue compreender a combinação entre ter o registro mantido e, ao mesmo tempo, estar impedido de pedir votos, mobilizar equipes, impulsionar conteúdos, distribuir materiais ou participar de atividades de campanha. (Este texto é um trecho do vídeo acima)
“Eu estou vivendo um momento esquizofrênico do nosso país. Não consigo entender o que estão fazendo comigo”, afirmou. “Eles me mantêm como candidato, meu registro está deferido, meu nome vai estar nas urnas. E, ao mesmo tempo, me proibiram de fazer campanha. Mas então por que me mantêm como candidato?”
Por que Deltan diz que há uma “injustiça”?
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) manteve a candidatura de Deltan, enquanto uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impede sua campanha. O impasse está relacionado à controvérsia que já havia levado à perda de seu mandato de deputado federal em 2023. Na entrevista, Deltan afirmou que a situação representa um tratamento desigual e disse que os paranaenses podem ter seu direito de escolha afetado por uma decisão tomada em Brasília.
“Fica parecendo, mais uma vez, que apenas eles violaram a lei, torcem a lei, em nosso prejuízo, quando somos os agentes da Lava Jato”, declarou. Ele também afirmou que seus advogados lhe dizem que decisões consideradas impossíveis acabam sendo tomadas contra ele e resumiu a avaliação que atribui a eles: “Parece que eles estão usando uma interpretação criativa da lei para te ferrar.”
Efeito da proibição nas pesquisas
Questionado sobre o possível impacto da ausência de campanha nas pesquisas eleitorais, Deltan afirmou que esperava uma redução de sua intenção de voto, já que estaria impedido de apresentar seu nome, número e pedido de voto aos eleitores. Segundo ele, porém, teria ocorrido o contrário: um leve crescimento nas pesquisas mencionadas por ele.
Deltan atribuiu o movimento à atuação espontânea de apoiadores nas redes sociais. “Muitas pessoas têm voluntariamente decidido fazer campanha em meu favor, pedindo voto”, disse. Para o candidato, isso poderia compensar a ausência de sua própria campanha ou refletir uma reação de indignação diante do caso. Ele afirmou ainda que a situação seria percebida por eleitores como “um disparate, um duplo padrão, uma injustiça sendo praticada mais uma vez”.
Por que Deltan contesta a decisão do TSE?
Na entrevista, Deltan também questionou o argumento apresentado pelo ministro Floriano de Azevedo, do TSE, sobre o risco de utilização de recursos públicos em uma candidatura que posteriormente pudesse ser cassada e exigisse uma eleição suplementar. Para o candidato, a decisão teria sido tomada sem que seu registro fosse novamente analisado em profundidade e sem que ele pudesse apresentar sua defesa sobre o pedido feito contra sua candidatura.
Deltan afirmou que, segundo sua interpretação, o cenário atual é diferente daquele considerado pelo TSE em 2023 porque as reclamações disciplinares que estavam no centro da controvérsia foram arquivadas. Ele citou ainda a decisão de desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que, segundo seu relato, consideraram que os fatos posteriores à decisão de 2023 impediriam um novo indeferimento de sua candidatura.
Para o candidato, a legislação eleitoral já teria considerado o risco de uma candidatura posteriormente ser impedida ao permitir que candidatos continuem fazendo campanha enquanto seus registros estão em discussão. “Ele não é legislador, ele é aplicador da lei. Mas, no meu caso, fizeram contrariamente”, afirmou, referindo-se ao TSE.
O que Deltan diz sobre o tratamento dado a outros candidatos?
Deltan comparou sua situação à de políticos que foram investigados ou condenados no contexto da Lava Jato e que, segundo ele, puderam disputar eleições ou fazer campanha. Na avaliação dele, há uma diferença entre a forma como a presunção de inocência é aplicada a esses casos e o tratamento que teria recebido.
“Quando é a gente da Lava Jato, que combateu os grandes corruptos, que incomodou os poderosos, aí é o contrário. Vale uma espécie de presunção de culpa”, afirmou. Ele também retomou o argumento de que, em 2023, sua situação teria sido julgada com base na possibilidade de futuras punições disciplinares que, posteriormente, não ocorreram.
Ao final da entrevista, Deltan afirmou que o episódio reforça, em sua avaliação, uma crise de confiança nas decisões judiciais. “A realidade dura e crua está se impondo que muitas vezes as decisões são guiadas por interesses pessoais”, disse.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





