Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Inflação desacelerou em junho

Com Agência Reuters

A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou em junho, contrariando as expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses, no entanto, o índice ultrapassou a marca dos 6% pela primeira vez desde novembro de 2005. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice, que baliza a política de metas de inflação do governo, registrou uma alta de 0,74% no mês passado, frente ao avanço de 0,79% em maio.

Analistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam uma alta de 0,80% para o índice, de acordo com média e mediana das estimativas de 37 instituições financeiras. No ano, o IPCA registrou avanço de 3,64%. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 6,06%. A última vez que o acumulado em 12 meses havia superado a marca dos 6% foi em novembro de 2005, quando o índice registrou um avanço de 6,22%, informou o IBGE. A meta de inflação de 2008 é de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo.

Os preços dos alimentos foram, mais uma vez, os responsáveis por boa parte do avanço do IPCA em junho. A alta dos preços deste grupo respondeu por 63% de toda a variação do IPCA no mês passado. “A alta de 2,11% no grupo Alimentação e bebidas foi ainda maior do que a registrada em maio (1,95%)”, afirmou o IBGE. A boa notícia foi o efeito da divulgação do IPCA no mercado financeiro: a desaceleração do indicador ajudou a reduzir a pressão sobre os contratos futuros de juros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) em São Paulo.

A aceleração do indicador nos últimos meses fez com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevasse o juro duas vezes seguidas desde abril para tentar conter o avanço dos preços. A taxa básica de juro do país, a Selic, está atualmente em 12,25%. O Banco Central estima que o IPCA fechará o ano com alta de 6%. No Relatório de Inflação do segundo trimestre, o BC afirmou que existe 25% de chance da inflação ultrapassar o teto da meta, de 6,5%, este ano.