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Índios são atacados por pistoleiros, após STF reconhecer a tribo como proprietária da área

Homens armados invadiram a Fazenda Rancho Alegre na quinta-feira e efetuaram disparos. Um dia antes do crime, o supremo decidiu, por 7 votos a 1, anular os títulos das fazendas cujos terrenos localizavam-se dentro da reserva

Um dia depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular os títulos de propriedade concedidos a fazendeiros e agricultores na reserva Caramuru-Catarina Paraguassu, na Bahia, e reconhecer o direito dos indígenas à terra, a aldeia da etnia Pataxó Hã Hã Hãe foi atacada por pistoleiros. Homens armados invadiram a Fazenda Rancho Alegre, que fica dentro da área de retomada, efetuaram disparos e atearam fogo em colchões.

O ataque aconteceu no início da noite da última quinta-feira. Ninguém ficou ferido porque os cerca de oito índios que estavam na fazenda se refugiaram na mata do entorno. “Os cachorros estavam latindo muito e quando a gente foi ver tinha um monte de gente armada se aproximando”, descreve o índio Reinaldo Silva Pataxó, 34 anos. Ele não soube precisar quantos eram os agressores. “Tinha bastante. Foram muitos tiros”, resume.

Na última quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 7 votos a 1, anular os títulos das fazendas cujos terrenos localizavam-se dentro da reserva, onde vivem cerca de 3 200 índios. Eles passaram a ter o direito sobre os 54 000 hectares de terra da Reserva Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu, entre os municípios de Itaju do Colônia, Pau Brasil e Camacan, no interior da Bahia. Os fazendeiros esperam receber indenização pela desapropriação das terras, cujos títulos foram doados pelo governo estadual.

A decisão pôs fim a uma disputa judicial de três décadas, mas não diminuiu a tensão na região. Este foi o primeiro ataque violento desde a decisão do STF. Na última semana, um não-índio foi morto com um tiro na cabeça, um índio foi baleado na perna e um caminhão, incendiado. Há relatos de tiros e ameaças, além da presença de uma grande quantidade de pistoleiros próximos a fazendas na região do Rio Pardo.

Na última sexta-feira, mais policiais federais do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) chegaram à região e orientaram os índios a não saírem das fazendas retomadas.