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Impasse na organização da JMJ: Igreja atrasa contratação de empresa de segurança

Exército defende presença de 4.000 agentes de segurança em Guaratiba para a missa celebrada pelo papa Francisco. Sacerdotes só agora aceitaram o plano, e organização do evento corre contra o tempo para encontrar empresa de segurança com capacidade para o serviço

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 6 Maio 2013, 16h38

“Desde o inicio do planejamento, no início do ano, já tínhamos falado da necessidade de contratação de segurança privada no campus. Não tem como abrir mão disso porque a responsabilidade, depois, recai sobre nós. Se algo acontecer de errado, vão cobrar a falha na segurança de quem? Não é da igreja, não é?”, argumentou o general José Alberto da Costa Abreu, comandante da 1ª Divisão do Exército que coordena as Forças Armadas na JMJ

Um impasse entre o Exército e a Igreja prejudica a organização de um dos principais eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a missa de encerramento celebrada pelo papa Francisco, no Campus Fidei. O Exército, que coordena a segurança do evento em Guaratiba, afirma ser imprescindível a contratação de uma empresa de segurança privada para fazer a vigilância interna da fazenda que receberá 2 milhões de fiéis nos dias 27 e 28 de julho. Já o Comitê Organizador Local (COL) da JMJ não admitia, até a semana passada, a necessidade da presença de agentes de segurança.

A igreja, segundo fontes ouvidas pelo site de VEJA, tem argumentado que o público da JMJ é pacífico e que, portanto, não haveria a necessidade de manter seguranças no terreno de 3,5 milhões de metros quadrados em Guaratiba, na Zona Oeste. A questão se estendeu até a semana passada quando o Exército, usando a prerrogativa de ser o responsável pela coordenação da segurança naquele local, exigiu a contratação de segurança particular para patrulhar o interior da área do Campus Fidei.

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Agora, a menos de 90 dias da JMJ, a igreja corre para contratar uma empresa capaz de oferecer 4.000 mil seguranças. Segundo o exército, esse é o número estimado de agentes para o Campus Fidei, que acontecerá no dia 27 de julho, quando jovens farão uma vigília e dormirão na fazenda, e no dia 28, na missa de encerramento da JMJ.

“Desde o inicio do planejamento, no início do ano, já tínhamos falado da necessidade de contratação de segurança privada no campus. Não tem como abrir mão disso porque a responsabilidade, depois, recai sobre nós. Se algo acontecer de errado, vão cobrar a falha na segurança de quem? Não é da igreja, não é?”, argumentou o general José Alberto da Costa Abreu, comandante da 1ª Divisão do Exército que coordena as Forças Armadas na JMJ.

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De acordo com fontes ouvidas pelo site de VEJA, durante uma das reuniões entre representantes da prefeitura, do Exército e da Polícia Federal, líderes da Igreja argumentaram que a Dream Factory, contratada pela Cúria para organizar a jornada, enfrenta dificuldades para encontrar uma empresa capaz de oferecer a quantidade de seguranças necessária para o evento. “A igreja está fazendo as tratativas com as empresas para contratar”, diz o general. De acordo com o general, 12.000 homens das Forças Armadas e das polícias participarão do esquema de segurança montado em Guaratiba. Bloqueios serão montados a 3 quilômetros do palco em que será realizada a missa de encerramento. Outra barreira de segurança será instalada a 500 metros das entradas do Campus Fidei. Perto do palco, já dentro do campus, cerca de 200 militares farão segurança exclusiva das autoridades e sacerdotes.

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Torres de segurança – A preocupação das Forças Armadas com a segurança do Campus Fidei não é só pela quantidade de público estimada, mas devido à impossibilidade de se controlar o acesso ao local. Não será exigido credenciamento para o campus, o que possibilita a entrada de qualquer pessoa, inclusive aqueles interessados em praticar pequenos furtos ou até mesmo transtornos maiores. O Exército montará 94 torres de segurança ao longo do campus, que será dividido em 24 lotes. Do alto, militares terão a missão de verificar a existência de problemas e comunicar ao centro de controle, que definirá as medidas.

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“Estamos falando de um público de dois milhões de pessoas. A gente nunca sabe quem está ali. É como um público do Réveillon de Copacabana. Qualquer pessoa poderá entrar. Não será exigido credenciamento. Quem poderá garantir que uma pessoa mal intencionada não estará no meio para roubar as coisas, celulares? Temos que ter pessoas (seguranças) junto aos peregrinos, observando, orientando. Para coibir pequenos delitos, brigas. Quem garante que não pode ter briga? Desentendimentos?”, questiona Abreu.

Coordenador de Segurança em Grandes Eventos da Polícia Federal, o delegado Felipe Tavares Seixas confirma o problema. Diferentemente do Exército, o delegado federal não foi informado sobre a aceitação por parte de Igreja de contratar uma empresa de segurança particular.

“O que existe hoje é uma questão de indefinição se haverá lá dentro uma ação da Polícia Militar, da Guarda Municipal ou se a Igreja terá que contratar vigilantes para a segurança interna. Ou se o próprio Exército vai prover essa proteção. Mas essa é uma discussão em que eu não entro porque não é a Polícia Federal que coordena o evento. Eu estou preocupado é com a segurança próxima do papa. Quem tem que resolver (a segurança no Campus Fidei) é o Ministério da Defesa e o Comitê Organizador Local.

A Prefeitura do Rio informou que fornecerá toda a estrutura de apoio para o evento, como sinalização e banheiros, mas afirmou que a segurança dentro da fazenda em Guaratiba é de responsabilidade dos organizadores do evento. Procurada pela reportagem do site de VEJA nas duas últimas semanas para se pronunciar sobre a indefinição em relação à segurança do Campus Fidei, a Igreja não respondeu sobre o planejamento de segurança no Campus Fidei.

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