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Imagem da semana: o vira-lata Nestor e a nova lei contra maus-tratos

O presidente Jair Bolsonaro tomou a caneta Bic e sancionou um projeto a favor de cães e gatos

Por Sofia Cerqueira - Atualizado em 1 out 2020, 13h54 - Publicado em 2 out 2020, 06h00

Foi uma cerimônia animal. Segurando o animado vira-lata Nestor, tendo ao lado a primeira-dama Michelle, assistido por Sansão, o pit bull de Minas Gerais que dá nome à legislação, e ainda observado pelo cachorrinho no colo do deputado Fred Costa (Patriota-MG), autor do projeto, o presidente Jair Bolsonaro tomou a caneta Bic e sancionou uma lei a favor de cães e gatos na semana passada — talvez a primeira de seu governo sem polêmicas ou confusões. A legislação prevê punição mais dura, como ficha de antecedentes criminais e dois a cinco anos de prisão (hoje vai de três meses a um ano), para quem praticar abusos e maus-tratos, ferir ou mutilar esses bichos. Em raro clima de paz e amor no Palácio do Planalto, estimulado pelo amplo apoio da população à ideia, Bolsonaro disse: “Nunca tive dúvida se ia sancionar ou não”. Na verdade, antes de assinar o documento, ele questionou a extensão da pena e chegou a cogitar fazer uma enquete popular sobre o assunto. A hesitação foi expressa em uma live gravada em vídeo. Discursando no Planalto, ressaltou que Michelle cobrou rapidez na aprovação (a primeira-dama não esconde que se derrete por bichinhos) e que ele, marido obediente que é, atendeu. “Eu falei: ‘Você está dando uma de Paulo Guedes, que manda eu sancionar imediatamente os projetos que têm a ver com a economia. Paulo eu obedeço, que dirá você?’ ”. No ponto alto do discurso, dirigiu-se ao pit bull na língua dele: “Não sei se o Sansão vai entender aqui, né? Au, au. Quer dizer parabéns”. O animal, distraído, o ignorou.

Publicado em VEJA de 7 de outubro de 2020, edição nº 2707

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