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Ideli Salvatti: “Não sei se serei Idelizinha paz e amor”

Ela será responsável pela articulação política entre Congresso e Planalto no lugar de Luiz Sérgio; ele assumirá Ministério da Pesca

Por Luciana Marques 10 jun 2011, 17h20

A nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto nesta sexta-feira que terá mais de “dois ouvidos” para receber os pedidos dos integrantes da base aliada. A falta de articulação política do governo motivou a queda do ministro Luiz Sérgio da pasta.

“Já executei muitas tarefas e para cada uma é preciso atuar de acordo com as exigências. Não vou usar só dois ouvidos, mas muito mais. Vou usar o coração e o bom senso”, afirmou, sorriso estampado no rosto. Questionada sobre a fama de durona, a ministra respondeu: “Não sei se serei Idelizinha paz e amor, mas vou negociar”.

A escolha de Ideli não atendeu aos pedidos do PT e do PMDB – que defendiam o nome do líder do governo, Cândido Vaccarezza – e foi uma indicação pessoal da presidente Dilma. A ministra afirmou que respeitará todos os integrantes dos partidos da base, com quem ela pretende atuar com “tranquilidade”.

Ela disse também que está apenas trocando “tarefas”, já que era ministra da Pesca, e que as negociações políticas devem ficar a cargo de todo o governo. Ideli citou, por exemplo, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, com quem deve atuar em parceria.

Na entrevista, Ideli afagou o ego do ministro Luiz Sérgio, que estava ao seu lado. Disse que “beberá da mesma fonte” que o ministro, em uma metáfora sobre sua atuação no governo. Na verdade, Luiz Sérgio fracassou no cargo e por isso foi afastado da coordenação política do governo Dilma.

Pesca – O ministro também tentou demostrar bom humor. Perguntado por um jornalista se estava disposto “a pescar”, retrucou: “Todos nós desejamos essa oportunidade. Para mim, que sou de Angra, pescar é uma atividade prazerosa”.

Luiz Sérgio afirmou que não há espaço para mágoas por causa de sua substituição. Disse que o que ocorreu é algo “do passado” – o que demonstra que ele não gostou da postura de petistas e peemedebistas, que o colocaram no fogo. O petista negou ter fracassado no papel de negociador: “Não há desarticulação da base, praticamente todas as medidas provisórias foram aprovadas”.

O ministro parece ter esquecido da derrota do Código Florestal na Câmara dos Deputados e que duas MPs perderam a validade no Senado e não entraram em votação.

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