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Homenagem de dom Paulo a Herzog foi o maior ato contra a ditadura

Cerca de 8.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em 31 de outubro de 1975, no culto ecumênico dirigido pelo cardeal dom Paulo Evaristo Arns

Por Da redação Atualizado em 14 dez 2016, 13h40 - Publicado em 14 dez 2016, 12h36

Em 31 de outubro de 1975, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal dom Paulo Evaristo Arns realizou um culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog, na Praça da Sé, região central de São Paulo. O culto, que reuniu 8.000 pessoas, se transformou na maior manifestação pública de repúdio à ditadura militar, desde 1964. Ao lado do arcebispo estavam o rabino Henry Sobel e o reverendo evangélico Jayme Wright.

Herzog foi preso pelos militares no dia 25 de outubro daquele ano, nas instalações do DOI-CODI (órgão repressor criado durante a ditadura militar), onde foi torturado e morto. A versão contada pelos agentes, contudo, era de que ele tinha se suicidado, por enforcamento.

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D. Paulo não se convenceu com a teoria do suicídio. Em seu discurso no dia da missa, ele foi direto: “Não matarás. Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do Senhor da História e não será apenas maldito na memória dos homens, mas também no julgamento de Deus!”, disse D. Paulo, em trecho publicado no livro Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte no Brasil, de Fernando Jordão.

Para reprimir a movimentação, cerca de 500 policias estavam no evento e “metralhariam a população se houvesse protestos”, conforme relatou o arcebispo ao jornalista Celso Miranda. “A estratégia dos manifestantes era chegar à praça em pequenos grupos, evitando aglomerações”, contou.

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