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Homem que danificou carros vai procurar ajuda médica

Por Da Redação 13 dez 2011, 16h32

Por Eliana Lima, especial para a AE

Salvador (AE) – Passados três dias do ataque de fúria que o acometeu no final da tarde do sábado, 10, o trabalhador baiano da área da construção civil, Everaldo Santos Silva, 35 anos, se diz muito assustado com o ocorrido e com a repercussão que o fato ganhou. Ele apresenta ferimentos nas mãos e no tornozelo; não consegue dormir direito e ainda teme por sua integridade física.

Everaldo está pensando em procurar ajuda de um terapeuta na tentativa de compreender o que o fez perder a cabeça da forma tão radical, ao ponto de ter danificado 42 carros que estavam no mesmo estacionamento onde havia colocado o seu, embora, pelas suas contas, os alvos não passaram de dez. “Alguém mais se aproveitou da ocasião e destruiu o restante”, suspeita, acrescentando ser uma pessoa ‘calma, até demais'”.

Everaldo voltava da praia quando notou que o seu carro, um Ford EcoSport novo, fora arrombado. Os assaltantes tinham quebrado o vidro da porta do carona e retirado o aparelho GPS e outros pertences que estavam no porta-luvas.

“Fiquei muito chateado porque estaciono naquele local há mais de dois anos e isso nunca tinha acontecido”, diz ele, ao explicar que opta pelo estacionamento nas proximidades do Yatch Club da Bahia por ser pago, embora a cobrança, feita pelos seguranças do clube, seja ilegal.

O clube fica na Ladeira da Barra, área nobre da capital baiana.

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Ele procurou um módulo policial localizado nas imediações, mas ouviu dos policiais que nada poderia ser feito. Os PMS teriam recomendado que procurasse uma delegacia para registrar a ocorrência, acionasse a seguradora do veículo e se queixasse junto à gerencia do Yatch Club. Lá, também teria ouvido outra negativa, afinal nem poderia estacionar no local por não ser associado.

“Disseram que eu deveria pegar o meu carro, com o meu prejuízo, e ir para casa. Não me contive e perdi a cabeça. Só me lembro de ter sido algemado pela polícia”, conta. Transtornado, ele passou a apedrejar, chutar e esmurrar todos os veículos que encontrou no estacionamento.

Everaldo tem queixas também da omissão dos seguranças do clube, que, segundo ele, eram seis, alguns portando rádio de comunicação, que sequer tentaram contê-lo, limitando-se a monitorar o seu ataque de fúria contra carros de associados do clube. “Eles são maiores do eu, poderiam ter me segurado, enquanto chamavam a polícia. Não teria havido tanto estrago”, reclama.

O rapaz revela que somente recuperou a sanidade quando um, dos 16 policiais militares encaminhados até o local, tentou conversar com ele, agindo de forma gentil. “Ele me reconheceu, pois vou sempre à praia do Porto da Barra, e tentou me acalmar. Foi quando a ficha caiu”, diz.

Everaldo tem evitado atender telefonemas. Diz que dois proprietários de veículos estão no seu encalço e que um chegou a ameaçá-lo de morte ainda na delegacia. “Estou com medo. Minha mãe, que já tem idade avançada, também está muito abalada e temerosa”, frisa, acrescentando não ter meios para custear os prejuízos. “Se eu pagar o de um, os outros 40 também vão querer e eu não tenho como pagar tudo, muito menos os que eu não fiz”, conclui.

Depois de prestar depoimento, na madrugada de domingo, 11, Everaldo assinou um termo circunstanciado e foi liberado. Vai responder processo por danos materiais.

Ele voltou para casa sem o GPS, sem o carro novo, também destruído pelos proprietários dos outros veículos, e com um enorme dívida, que não tem como pagar.

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