Haddad promete ‘pente-fino’ em contratos de SP, mas diz que reestatizar Sabesp é ‘muito difícil’
Petista critica situação financeira do estado, diz que fará auditoria nas contas e afirma que, sem isso, não tem como começar a governar
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta terça-feira, 25, que, se eleito, fará um “pente-fino” nas contas, contratos e privatizações do Estado logo no início da gestão. Em sabatina da VEJA, o petista disse que pretende abrir espaço no Orçamento e citou como exemplos os contratos envolvendo a Sabesp, a CPTM e o sistema de cobrança automática de pedágio, o Free Flow.
“Eu não tenho como começar a governar o Estado de São Paulo sem fazer esse pente-fino”, afirmou Haddad. Segundo ele, a revisão teria como referência uma experiência anterior, quando participou da equipe da então prefeita Marta Suplicy e ajudou a revisar contratos e as finanças da capital paulista. O candidato também citou sua própria administração como prefeito de São Paulo, entre 2013 e 2016, como outro exemplo de reorganização das contas públicas.
Haddad aproveitou a resposta para atacar a situação fiscal do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o petista, o Estado registrou déficit de 12 bilhões de reais no ano passado e teria uma projeção de déficit de 9 bilhões de reais neste ano. Ele também mencionou a renegociação da dívida paulista com a União, conduzida durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, e afirmou que o governo federal teria ampliado os desembolsos do BNDES para São Paulo.
Sabesp no centro da revisão
A privatização da Sabesp foi um dos principais alvos de Haddad. O candidato afirmou que a companhia, hoje privada, precisa ter seu contrato “passado em revista” diante de reclamações de usuários sobre o serviço. Ele citou falta de água e problemas na qualidade do abastecimento e criticou o aumento das tarifas.
Haddad também afirmou que é favorável à universalização dos serviços de água e esgoto, mas disse considerar que a Sabesp, enquanto empresa pública, tinha condições de alcançar esse objetivo sem ampliar os ganhos do setor privado. Questionado sobre uma eventual reestatização, ponderou que a medida seria difícil de concretizar, mas defendeu uma atuação sobre o contrato para garantir a qualidade do serviço.
“É muito difícil prometer reestatizar como a população de São Paulo deseja, mas nós temos que incidir no contrato para evitar que a Sabesp se transforme numa Veolia das águas”, afirmou, fazendo referência à empresa francesa de saneamento.
O petista também citou processos de reestatização de empresas de saneamento na Europa e defendeu que a companhia paulista e as agências reguladoras estabeleçam um “pacto mínimo de seguridade com o usuário”.
Contratos e privatizações
Na avaliação de Haddad, a revisão não deveria se restringir à Sabesp. Ele afirmou que pretende analisar também contratos da CPTM e o sistema Free Flow para verificar se os direitos dos usuários estão sendo preservados.
Ao falar sobre contratos públicos, Haddad retomou ainda a investigação envolvendo um suposto contrato de mais de 100 milhões de reais da Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi. O candidato relacionou o episódio a suspeitas que, segundo ele, envolvem desvio de recursos e a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Ao defender a necessidade de uma revisão ampla dos contratos, Haddad voltou à experiência na Prefeitura de São Paulo. “Essas privatizações, esses contratos em todo o âmbito precisam de uma revisão”, afirmou. Para o petista, a reorganização das contas públicas seria o primeiro passo para uma política de desenvolvimento capaz de aproveitar áreas como transição ecológica e economia digital.
Ele também contestou o discurso do atual governo sobre investimentos no Estado. Segundo Haddad, dados de uma agência independente indicariam que o volume de investimentos foi menor do que durante a gestão de João Doria. “Nós precisamos realmente endereçar um plano de desenvolvimento para São Paulo que passa pelo saneamento das contas públicas”, concluiu.







