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Guarda Municipal inicia greve no primeiro dia do Rock in Rio

O Sindicato dos Servidores da Guarda Municipal afirma que a escolha pela data não tem ligação com o evento

Os guardas municipais do Rio de Janeiro planejam entrar em greve no início da madrugada desta sexta-feira. A paralisação coincide com o primeiro dia do Rock in Rio, que deve levar cem mil pessoas diariamente à Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. O trânsito, principal atribuição da guarda, é o ponto central de todo o planejamento do festival, e, justamente por isso, é um dos focos de preocupação dos organizadores do evento: ruas serão fechadas, vias terão a mão invertida e rotas alternativas modificarão a circulação de veículos no entorno da Cidade do Rock. Os agentes da Guarda Municipal e da prefeitura do Rio terão como função justamente organizar todas essas transformações e ainda controlar o acesso de moradores e monitorar as casas, para que não sejam usadas como estacionamentos irregulares.

A greve foi decidida pelo Sindicato dos Servidores da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (Sisguario). O presidente da enditade, Rogério Chagas, afirma que a paralisação só será suspensa quando a prefeitura abrir as negociações. Por uma questão de “responsabilidade social”, como explicou Chagas ao site de VEJA, 30% do efetivo continuarão de serviço. Isso significa que os agentes destacados para ordenar o trânsito na Barra da Tijuca durante os dias de shows serão mantidos. Mas isso também quer dizer que não haverá homens suficientes para resolver os outros problemas relacionados ao tráfego da cidade.

Chagas afirmou que aproximadamente 1.800 guardas, de um universo de 5.898, continuarão nas ruas durante a greve. A Polícia Civil e a CET-Rio informaram que a quantidade de agentes para cuidar do Rock in Rio permanecerá a mesma. Serão 340 homens, entre guardas e controladores de trânsito da prefeitura, auxiliados por 30 viaturas e 40 motocicletas. A Polícia Militar dará apoio à ação com 46 PMs fazendo bloqueio de ruas. Reboques da secretaria de Ordem Pública também circularão pela área para coibir o estacionamento irregular.

As reivindicações da guarda são por melhores salários. O sindicato pede o piso de 1.200 reais, ao invés dos atuais 600. “O salário de quem entra atualmente na instituição é de 600 reais. Quem está na função há mais de 10 anos recebe cerca de 700”, reclama Chagas. Os pedidos são pelo aumento de 50% do adicional de risco, pela reestruturação do plano de carreira do guarda, por melhores condições de trabalho nas inspetorias e pelo aumento salarial.

Chagas afirma que a escolha da data da greve não teve nada a ver com o Rock in Rio, mas admite que a coincidência dos dias trouxe grande repercussão ao movimento. “Está sendo feliz (a coincidência)”, diz. “Não é verdade que o Rock in Rio vai ter problema por causa da guarda”, afirma, lembrando não querer a rejeição da população ao movimento. Segundo o presidente do Sisguario, os pedidos por melhorias foram feitos há seis meses à secretaria Especial de Ordem Pública. Nada foi feito. Agora, no momento em que todos os olhos estão voltados para o Rio, a guarda finalmente terá- e já está tendo- a visibilidade almejada.