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Grevistas devem aceitar proposta do governo, mas PF recusou

Planejamento recebe até esta terça resposta dos trabalhadores paralisados sobre reajuste de 15,8%; PF rejeitou proposta e deve ser seguida pela Receita e agências reguladoras

Termina nesta terça-feira o prazo dos servidores federais paralisados para aceitar ou não a proposta de reajuste do governo. A volta ao trabalho de parte dos grevistas, no entanto, permanece em suspenso. O governo pressiona para que aceitem aumento de 15,8% divididos em três anos. O prazo para o Planalto entregar ao Congresso a proposta orçamentária para o ano que vem esgota-se no próximo dia 31.

A primeira resposta dada ao governo foi frustrante. Na noite desta segunda-feira, servidores da Polícia Federal, primeiros a concluírem a consulta às bases nos estados, recusaram a proposta e decidiram preparar um calendário de greves e protestos até o fim do ano. Como consequência, serviços como emissão de passaportes e de registro de armas ficarão ainda mais prejudicados em locais como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, onde há grandes filas. Serão afetadas investigações de rotina e operações de combate à corrupção e ao crime organizado. O controle do tráfico de drogas e armas nas fronteiras também deve ser prejudicado.

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) informou que a categoria dispensa o reajuste e não abre mão da reestruturação da carreira e sua equiparação com as demais categorias de nível superior. Hoje, só delegados têm o reconhecimento de carreira de nível superior. Agentes, escrivães, papiloscopistas e servidores administrativos ganham como profissionais de nível médio, embora se exija deles curso superior.

Caso a medida fosse adotada, o impacto seria de mais de 60% na folha salarial de mais de 10 mil policiais. O governo não admite abrir exceção. Uma nova série de manifestações em aeroportos está agendada para o fim da semana, caso o governo não sinalize com a reformulação das carreiras. Os policiais admitem estender as negociações pelos próximos meses.

Receita – Na Receita Federal, o impasse é semelhante: auditores fiscais decidiram nesta segunda parar pelas próximas 48 horas e negar a proposta do governo. Devem trabalhar com efeito de 30% e realizar operação-padrão em vários estados. Mobilizados desde o início do mês, demandam recomposição salarial superior aos 15,8%. O mesmo vale para os servidores das agências reguladoras.

Já a Polícia Rodoviária Federal decide até o fim desta semana se permanece ou não paralisada em quase a totalidade dos estados brasileiros. Deve aceitar nesta terça, em reunião com o secretário de Relações de Trabalho, Sergio Mendonça, os mesmos 15,8% oferecidos às demais categorias. Aguarda, entretanto, reconhecimento do governo da categoria como de nível superior. Segundo o comando de greve, a reivindicação é ponto fundamental para a decisão pela retomada dos trabalhos.

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que representa uma série de categorias ligadas ao Executivo federal, terá nesta terça-feira pela manhã uma assembleia para decidir se volta ou não a trabalhar. Representante dos setores mais radicais do Executivo, o comando de greve já avaliava, na semana passada, que a paralisação perdia força. A tendência é que a maior parte das categorias aceite os 15,8% para não ficar de mãos vazias.

Ainda nesta segunda-feira, os servidores do Itamaraty decidiram voltar ao trabalho. Assistentes e oficiais de chancelaria estavam paralisados em retaliação ao Ministério do Planejamento, que não agendou reuniões com seus representantes no início do mês. Segundo o SindItamaraty, que comanda a greve, o governo acenou no fim de semana com proposta de reajuste. O acordo deve ser oficializado nesta terça.

(Com Agência Estado)