Greve de aeronautas e aeroviários afeta voos em 8 capitais e no DF

Infraero contabilizou 264 voos atrasados e 121 cancelados até às 10 horas; paralisação pelo reajuste salarial durou duas horas nesta quarta

Por Da Redação - 3 fev 2016, 06h32

Os trabalhadores do setor aéreo realizaram uma greve na manhã desta quarta-feira em 12 aeroportos do país – Guarulhos (SP), Congonhas (SP), Viracopos (SP), Brasília, Santos Dumont (RJ), Galeão (RJ), Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba e Salvador. A paralisação, das 6 às 8 horas, afetou cerca de 400 voos. A adesão foi de aeroviários (agente de check-in, auxiliar de serviços gerais, mecânicos de aeronaves, agente de bagagem, operador de equipamentos) e aeronautas (pilotos, copilotos, comissários, mecânicos e engenheiros de voo). O grupo pede reajuste salarial.

A Infraero contabilizou ao todo 264 voos atrasados e 121 cancelados entre os voos domésticos. Em relação às viagens internacionais, foi registrado apenas dois atrasos. Os dados só contemplam os aeroportos da Rede Infraero e os terminais de Brasília, Campinas e Rio de Janeiro, que foram concedidos à iniciativa privada. O aeroporto de Congonhas (SP) é o que teve mais voos atrasados e cancelados, 29 e 31, respectivamente. O balanço se refere a decolagens e pousos programados entre a meia noite e as 10 horas.

As categorias rejeitaram a proposta das empresas aéreas, que previa o reajuste parcelado e não retroativo à data-base – dia 1º de dezembro. Os trabalhadores reivindicam o aumento de 11% nos salários e benefícios, que fará a recomposição das perdas inflacionárias nas renumerações. O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), que representa as companhias TAM, Gol, Azul e Avianca, informou que apresentou seis propostas aos trabalhadores, mas todas foram recusadas.

Segundo a diretora-executiva do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Selma Balbino, 80% dos aeronautas aderiram à paralisação. “Estamos negociando há quatro meses e meio. Nós flexibilizamos e reduzimos a nossa proposta de 15% para 11% nos itens sociais (vale-refeição, cesta básica, entre outros), e mesmo assim nada avançou. O setor aéreo foi muito beneficiado nas últimas décadas e não querem dar nenhum pedaço desse bolo”, afirma Selma.

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz que é dever da empresa informar aos passageiros sobre atrasos e cancelamentos de voo e o motivo, além de oferecer facilidade de comunicação para atrasos superiores a uma hora; alimentação adequada para atrasos superiores a duas horas e acomodação em local adequado, traslado e, quando necessário, serviço de hospedagem, para atrasos superiores a quatro horas. Os passageiros com viagens marcadas para hoje devem entrar em contato com as companhias contratadas para checar o status do voo.

O Tribunal Superior do Trabalho determinou que 80% dos trabalhadores do setor aéreo mantenham suas atividades a partir desta quinta e durante o período de Carnaval. Em caso de descumprimento da ordem, a multa diária será de 100 mil reais.

(Da redação)

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