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‘Governo Lula nunca se importou muito com segurança pública’, diz ex-secretário

Ao Ponto de Vista, Mario Sarrubbo defendeu ainda que combate ao crime organizado exige investimentos estruturais, e não medidas de endurecimento penal

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 14h39 | Atualizado em 14 jul 2026, 14h54
‘Governo Lula nunca se importou muito com segurança pública’, diz ex-secretário Priorizar nos meus resultados Google

O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mario Sarrubbo afirmou, em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “nunca se importou muito” com a agenda da segurança pública e atribuiu essa postura a uma questão ideológica. Segundo ele, a falta de prioridade dada ao tema comprometeu o avanço de projetos considerados estratégicos durante sua passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Questionado por Robson Bonin, da coluna Radar, sobre as dificuldades enfrentadas pelo governo para levar adiante iniciativas de combate ao crime organizado e sobre a demora na apresentação de propostas ao Congresso, Sarrubbo afirmou que a segurança pública historicamente não ocupa posição central na agenda da esquerda. Na avaliação dele, somente a partir da gestão do então ministro da Justiça Flávio Dino e, posteriormente, de Ricardo Lewandowski, o tema passou a receber maior atenção dentro da pasta.

Segundo Sarrubbo, Dino iniciou projetos voltados ao enfrentamento do crime organizado e determinou que a Secretaria Nacional de Segurança Pública desenvolvesse iniciativas na área. Ainda assim, afirmou que o governo não tratou a pauta como prioridade e que a execução de diversas ações foi comprometida por cortes orçamentários, especialmente em 2025. “Projetos ficaram estancados por falta de verbas”, disse.

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Apesar das críticas ao governo, o ex-secretário afirmou enxergar com entusiasmo o trabalho desenvolvido atualmente pelo Ministério da Justiça, destacando que parte das iniciativas lançadas foi concebida ainda durante sua permanência na secretaria, sob a gestão de Lewandowski. Para ele, a política de segurança pública precisa avançar com planejamento de longo prazo.

Na entrevista, Sarrubbo também criticou propostas que, segundo ele, reduzem o debate sobre segurança ao aumento de penas ou à redução da maioridade penal. Em sua avaliação, o enfrentamento ao crime organizado depende de ações integradas entre as forças de segurança, do fortalecimento das polícias civis e do aumento da capacidade de investigação e esclarecimento de crimes.

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O ex-secretário defendeu investimentos permanentes em capacitação, profissionalização e remuneração dos agentes de segurança como caminho para melhorar os resultados da política pública no setor. Segundo ele, os efeitos desse tipo de investimento não são imediatos e exigem continuidade por diferentes governos, em lógica semelhante à das políticas de educação.

PEC da Segurança Pública

Ao comentar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública em discussão no Congresso, Sarrubbo afirmou ser contrário à aprovação do texto na forma atual. Na visão dele, a proposta representa um retrocesso em relação ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), modelo que considera um dos principais avanços da legislação brasileira na área.

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Sarrubbo também criticou alterações promovidas pelo Congresso em projetos elaborados pelo Ministério da Justiça para o combate ao crime organizado, afirmando que medidas concebidas para atingir as estruturas financeiras das facções acabaram sendo desfiguradas durante a tramitação. Para ele, a polarização política e ideológica em torno da segurança pública continua sendo um dos principais obstáculos para a construção de políticas de Estado voltadas ao enfrentamento da criminalidade.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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