Governo do Rio pede transferência de mais 8 traficantes para presídios federais

Secretário de Segurança afirma ter indícios de que ordem para ataques partiu de dentro de penitenciárias. Polícia fez operação em 16 favelas da capital

Por Cecília Ritto - 23 nov 2010, 16h57

“Quem atravessar o caminho daquilo que está sendo posto no Rio vai ser atropelado. Quem achava que não ia dar certo, que a nossa política ia acabar depois das eleições, saiba agora que não vamos voltar atrás”, avisou Beltrame

O governo do Rio pediu hoje à Justiça a transferência de mais oito chefes do tráfico, presos no estado, para penitenciárias federais. O motivo, segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, são os fortes indícios de que os ataques de criminosos, intensificados desde o fim de semana, partiram de dentro de presídios. “Temos um conjunto de informações que nos levam a acreditar que isso esteja ocorrendo (ordem partindo de presídios). Mas ainda não temos informações completas”, disse Beltrame.

Segundo o secretário, um dos presos nesta terça-feira, em Copacabana, sob suspeita de participar dos ataques, afirmou aos policiais que bandidos de um presídio federal ordenaram os ataques, como incêndio de carros em via pública e tiros contra policiais.

Beltrame explicou que, atualmente, existem 13 detentos que cumprem pena no Rio que deverão ser transferidos. A decisão mais urgente, no entanto, diz respeito aos oito condenados cuja transferência já foi pedida à Vara de Execuções Penais (VEP), da Justiça do Rio. É a VEP quem articula, com o sistema penitenciário federal, a transferência e a escolha das novas unidades de detenção dos criminosos.

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“Quem atravessar o caminho daquilo que está sendo posto no Rio vai ser atropelado. Quem achava que não ia dar certo, que a nossa política ia acabar depois das eleições, saiba agora que não vamos voltar atrás”, avisou Beltrame, fazendo referência à pacificação de favelas controladas por traficantes. Uma das hipóteses cogitadas pelas autoridades de segurança do Rio para os ataques é a de uma reação dos bandidos com a perda de território para as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

Ao longo desta terça-feira, policiais civis e militares do Rio fizeram operações em 16 favelas onde, suspeita-se, estejam bandidos que participaram dos ataques. Ao todo, informou o secretário, foram empregados 300 policiais militares, em 100 viaturas, e 150 agentes civis, em 40 carros. Até o início da noite, será divulgado um balanço das ações, que resultaram em prisões, apreensão de armas, drogas e telefones celulares.

Beltrame, que na segunda-feira estava em Brasília, tratando, entre outros assuntos, da transferência e da manutenção de detentos do Rio em unidades penitenciárias federais, afirmou que as ações desta terça-feira são apenas de repressão. “Sabemos que as ações pontuais, de repressão, não resolvem o problema sozinhas. O que resolve é um plano estratégico. Estamos completando dois anos de um projeto de redução da criminalidade com excelentes resultados”, afirmou. “Esses grupos criminosos estão instalados aqui há 20, 30 anos ou mais. Talvez não queiram desistir de suas ações de uma hora para outra. Mas nós também não vamos desistir”, completou o secretário.

Catanduvas – Beltrame afirmou que a polícia tem informações de que as ordens para os ataques ocorridos no Rio de Janeiro estejam partindo do presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná. Cumpre pena nessa carceragem um dos traficantes mais poderosos do Rio, Marcinho VP, um dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho. VP chefiava a favela Vila Cruzeiro, na zona norte da cidade. “Marcinho é uma pessoa importante e tem significado contundente no que está acontecendo”, disse Beltrame, que também lembra que, historicamente, essas ordens são repassadas aos bandidos soltos através de advogados e das visitas íntimas. O secretário também disse que “em tese, as ações são do Comando Vermelho”.

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