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Governadores demoraram a decretar distanciamento na 2ª onda, diz Ipea

Em nota técnica, o instituto de pesquisa vinculado ao Ministério da Economia aponta que Mato Grosso, Rondônia e Tocantins foram os estados mais lenientes

Por Edoardo Ghirotto 8 Maio 2021, 12h29

Uma nota técnica produzida em abril pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação vinculada ao Ministério da Economia, apontou que a maioria dos governos estaduais demorou a perceber a gravidade da segunda onda da pandemia de Covid-19 e só decretou medidas de distanciamento social quando as taxas de casos e mortes já estavam elevadas. Segundo o instituto, governadores tiveram uma atuação diferente em relação à primeira onda e agiram de forma reativa, transformando ações preventivas no “último recurso” para conter o colapso dos hospitais.

A comparação entre os níveis de distanciamento social e as taxas de mortes nos estados mostra que somente o Acre, o Ceará e o Espírito Santo reagiram de forma relativamente rápida à segunda onda, embora as medidas sanitárias adotadas por esses governos não tenham sido tão rígidas quanto aquelas que foram implementadas na primeira onda. Os demais governos optaram por medidas mais severas dias após o início da segunda onda. Nem mesmo o colapso sanitário no Amazonas, em janeiro deste ano, fez com que os governadores de outros estados antecipassem ações contra a nova propagação da Covid-19.

Segundo o levantamento do Ipea, os governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins foram os mais lenientes na segunda onda e não endureceram o distanciamento social de forma substancial. As gestões desses estados optaram até pelo relaxamento das ações preventivas, apesar do crescimento acelerado do número de mortes por Covid-19.

Pelos cálculos do instituto, 22 unidades federativas adotaram medidas com um rigor 25% menor do que o registrado em março de 2021. Todos os estados e o Distrito Federal computaram mais mortes na segunda onda do que na primeira.

  • A população também não aderiu às medidas como havia feito em 2020. Embora a pandemia se manifeste de forma mais grave neste ano, os níveis de isolamento registrados em março foram 30% menores do que os do mesmo período do ano passado. Dados de monitoramento do Google mostraram que o Amazonas tinha apenas 16% de isolamento entre os dias 10 e 24 de dezembro, o que acarretou na rápida difusão do vírus e fez com que o estado fosse o primeiro a colapsar nesta segunda onda. Nem os estados que adotaram medidas de distanciamento mais duras do que em 2020 obtiveram taxas maiores de isolamento neste ano, como foram os casos do Acre, do Distrito Federal, do Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais.

    Entre as recomendações do Ipea está a adoção de planos com “critérios claros, objetivos, transparentes e abrangentes para o enrijecimento ou o relaxamento das medidas [de distanciamento social], como observado no Rio Grande do Sul e em São Paulo”. Segundo o instituto, a “existência de planos com essas características torna menos provável a influência de pressões contrárias a medidas rígidas de distanciamento social — tal como ocorreu no Amazonas”. Em entrevista concedida nesta semana ao jornal Folha de S.Paulo, o vice-governador amazonense, Carlos Almeida Filho (sem partido), afirmou que o chefe do Executivo estadual, Wilson Lima (PSC), introduziu uma política de imunidade de rebanho no estado para demonstrar alinhamento com as teses defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, um negacionista da gravidade da pandemia. O colapso sanitário no Amazonas será um dos fatos investigados pela CPI da Covid-19 no Senado.

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