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Governador diz que há pelo menos mais 13 mortos em tragédia do ‘mar de lama’ em Minas

Por Da Redação - 8 nov 2015, 15h04

Três dias depois da avalanche de resíduos de mineração que devastou distritos de Mariana, a busca pelos desaparecidos é marcada pela pequena esperança de encontrar sobreviventes, afirmou o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. “Com segurança os treze desaparecidos que estavam no depósito no momento do rompimento dificilmente serão encontrados com vida, lamentavelmente temos que reconhecer isso”, declarou.

Sobre as outros desaparecidos, o governador disse que poderiam ter conseguido escapar da onda de lama e ainda estar isoladas em alguma localidade sem que tenham sido encontradas até agora. “Não quero tirar a esperança de ninguém, pode ser que consigamos resgatar alguém com vida, mas à medida que vai passando o tempo a esperança vai diminuindo”, completou.

Até o momento, o balanço oficial é de dois mortos e de 26 desaparecidos depois que na tarde de quinta-feira cederam as barragens de dois depósitos com milhões de metros cúbicos de água e de resíduos da extração de minério de ferro pertencentes à empresa Samarco, uma joint venture entre a gigante brasileira Vale e a australiana BHP Billinton.

Um terceiro corpo foi visto no canal do rio, mas os bombeiros ainda não confirmaram se trata-se de uma nova vítima da tragédia.

Na manhã deste domingo, equipes de resgate retomaram as buscas em oito distritos em torno da pequena cidade histórica de Mariana.

A busca havia sido suspensa durante a noite de sábado “porque é um lugar de muito difícil acesso e de muito risco”, explicou o prefeito de Mariana, Duarte Gonçalves Júnior. Além disso, havia chovido muito na região e isto dificulta as operações de resgate.

Um dos distritos onde são realizadas as buscas é Bento Rodrigues, de 620 habitantes, que ficou completamente coberto pelo “mar de lama”.

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O trabalhador da Samarco Marcelo José Felicio, de 30 anos, procura sua mãe, uma idosa que aparentemente não conseguiu escapar da onda de lama que invadiu Bento Rodrigues.

“Dizem que ela entrou em casa para buscar alguma coisa. Fechou a porta e saiu. Um menino que mora perto a viu correndo, mas como é idosa não conseguiu avançar mais e a lama a cobriu. Até agora não sei onde está”, disse Felicio à agência de notícias France Presse.

Além de arrasar com tudo em seu caminho, a poderosa onda de água, terra e resíduos minerais causou um “enorme dano ambiental”, segundo um dos investigadores da promotoria do estado de Minas Gerais.

Não há certezas sobre as causas do acidentes. A Samarco assegura que os depósitos haviam sido submetidos à fiscalização em julho de 2015 e que “encontram-se em total condição de segurança”.

Contudo, a promotoria de Minas Gerais investigará se os controles técnicos das estruturas e as medidas de segurança estavam regulares.

Pouco antes da tragédia, foram registrados pequenos tremores na região. Mas especialistas em sismologia da Universidade de São Paulo consideram improvável que estes movimentos tenham causado o rompimento das barragens.

(Com agência France-Presse)

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