Clique e assine com até 92% de desconto

Governador culpa EUA por importação de lixo hospitalar

Depois dos flagrantes de materiais contaminados, todo carregamento de tecido passará por inspeção no Porto de Suape, diz Eduardo Campos

Por Da Redação 18 out 2011, 13h47

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nesta terça-feira ser injusto que um polo de confecções que emprega mais de 150.000 pessoas seja prejudicado por conta de um “bandido dos Estados Unidos e um bandido daqui”. Campos se referiu à descoberta de uma empresa do município de Santa Cruz do Capiberibe, no agreste pernambucano, que importava lixo hospitalar dos Estados Unidos.

“São 22.000 empresas no polo de confecção e uma só cometeu esse delito”, afirmou o governador na tarde desta terça, antes de ingressar em uma reunião, no Palácio do Campo das Princesas, com representantes da Receita Federal, Anvisa e empresários do polo têxtil, que engloba catorze municípios do agreste.Campos culpou a fiscalização americana pela entrada no Brasil de tecidos contaminados. “Houve a saída de uma mercadoria que não devia ter saído”, disse. “Houve crime nos Estados Unidos”.

Com base na avaliação de infectologistas, o governador frisou, no entanto, que o consumidor que comprou roupas feitas com o material que entrou ilegalmente no país não corre nenhum risco. E pregou punição para a empresa importadora e tranquilidade para que o caso não venha a afetar economicamente um polo econômico do agreste.

Histórico ─ O empresário Altair Teixeira de Moura, dono da empresa Na intimidade Ltda., com sede em Santa Cruz do Capibaribe, fabricava roupas a partir de tecidos importados de hospitais norte-americanos. O material, que continha manchas similares às de sangue e secreções humanas, era vendido a quilo. Instalados no município de Toritama, uma loja e um galpão da empresa ─ cujo nome fantasia é Império do Forro de Bolso ─ foram interditados pela Receita Federal e pela Agência de Vigilância Sanitária de Pernambuco (Apevisa).

No início da noite de ontem, outro galpão da empresa de Moura foi arrombado pela polícia, desta vez em Caruaru. O espaço abrigava quinze toneladas de lençóis manchados. Moura alega inocência. Na semana passada, a Receita Federal apreendeu dois contêineres com 46 toneladas do material, que era identificado como “tecido de algodão com defeito”. Em um deles havia também seringas, catéteres e luvas usadas.

Mais catorze contêineres repousam imóveis no Porto de Suape, em Recife. Todos saíram do Porto de Charleston, na Carolina do Sul, com destino certo: a empresa de Moura. De acordo com o governador, depois dos flagrantes, todo o material importado identificado como tecido passará por rigorosa fiscalização.

Continua após a publicidade

(Com Agência Estado)

LEIA TAMBÉM:

Ricardo Setti: Uebaaaaa! Já acharam a culpa pela compra de lixo hospitalar contaminado em Pernambuco. É dos Estados Unidos!

Receita apreende dois contêineres com lixo hospitalar

Polícia e Apevisa apreendem mais lixo em Caruaru-PE

Continua após a publicidade
Publicidade