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Goiás inaugura escola em homenagem a Roberto Civita, criador de VEJA

Localizado em Goiânia, colégio funcionará também aos finais de semana. Autor da ideia, governador Marconi Perillo destacou papel do empresário para consolidação da imprensa no país

O governo de Goiás inaugurou nesta quarta-feira o Colégio Estadual Roberto Civita, uma homenagem do Estado ao criador de VEJA. Presidente do Grupo Abril por quase trinta anos, Roberto Civita morreu em 26 de maio de 2013, em São Paulo, em decorrência de complicações advindas da implantação de uma prótese para corrigir um aneurisma da aorta. A cerimônia lembrou a trajetória do empresário e jornalista, marcada pela defesa da liberdade de expressão, da difusão da cultura e da qualidade na educação básica – com destaque para a criação do prêmio “Educador Nota 10”, da Fundação Victor Civita, voltado a professores de Educação Infantil e Ensino Fundamental e gestores de escolas.

A data escolhida para inauguração da escola marca o início do ano letivo em Goiás. A cerimônia teve participação de pais, alunos, professores, diretores e da secretária estadual de Educação, Cultura e Esporte, professora Raquel Teixeira. O colégio está localizado no bairro Residencial Katia, na capital Goiânia, e tem capacidade para 1.260 estudantes. A instituição funcionará em três turnos: pela manhã e à tarde com alunos do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental e à noite para o Ensino Médio.

A iniciativa de homenagear Roberto Civita partiu do governador Marconi Perillo (PSDB), foi aprovada em lei pela Assembleia Legislativa e publicada em dezembro de 2015. “Essa homenagem tem o caráter de reconhecer o papel dele na história recente do Brasil, por tudo o que ele representa na consolidação da imprensa no país e pela história do Grupo Abril: as revistas, a publicação das enciclopédias e das coleções históricas”, afirmou o governador ao site de VEJA. “Decidi fazer essa homenagem assim que ele morreu. Tínhamos uma relação muito boa e Roberto Civita gostava muito de Goiás”, prosseguiu.

A cerimônia de inauguração foi conduzida por Raquel Teixeira. Segundo a secretária, a construção custou cerca de 3 milhões de reais e foi paga com recursos do Estado e do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica do governo federal. Conforme previsão orçamentária, o funcionamento da escola custará 5,1 milhões de reais neste ano e 6,6 milhões de reais a partir de 2017 – verba estadual e federal. “Eu tive o prazer enorme de conhecer e de certa forma conviver com o doutor Roberto. Ele falava ‘o Português foi a última língua que aprendi, mas tenho paixão pela língua portuguesa’. Mantinha perto dele vários dicionários e tinha obsessão pela palavra exata, em encontrar a palavra para cada contexto. Essa preocupação bonita com a linguagem, com a exatidão das palavras, com o conteúdo do que diz, a responsabilidade pelo que escreve, e o amor com o professor com certeza é um estímulo para essa escola”, disse Raquel Teixeira. “Acho que uma das primeiras redações e atividades poderia ser uma pesquisa sobre o doutor Roberto Civita. Todas as pesquisas mostram que a escola funciona melhor quando há um laço de afetividade e de pertencimento. Esse orgulho, esse sentimento começa conhecendo a história da escola.”

Em carta ao governador, o presidente da Abril Mídia e chairman da Abrilpar, Giancarlo Civita, manifestou a “grande alegria” dele e dos irmãos Roberta e Victor Civita Neto, presidente do conselho editorial da Editora Abril, com a homenagem oferecida pelo governo de Goiás ao pai. Eles ofereceram à biblioteca do colégio assinaturas das revistas VEJA, EXAME, Superinteressante e do Guia do Estudante, todas editadas pela Abril. “Essa iniciativa é completamente alinhada com tudo o que ele defendeu durante sua vida. Roberto Civita acreditava que só o fortalecimento da educação de base poderia fazer o Brasil progredir, por isso a Abril sempre foi e sempre será comprometida com esse tema que está na própria missão da empresa”, escreveu Giancarlo Civita.

O colégio foi construído no padrão arquitetônico e de equipamentos Escola do Século XXI, reconhecido pelo Ministério da Educação, e tem doze salas de aula, cantina, pátio de convivência, biblioteca, além de laboratório de informática e de ciências ainda a serem equipados. O Estado ainda não conseguiu concluir a construção da quadra poliesportiva coberta, por problemas no terreno, segundo o subsecretário Metropolitano de Goiânia, Marcelo Ferreira. A escola também poderá ser frequentada aos fins de semana.