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Geórgia rejeita pedidos de Troy Davis e segue em frente com execução

Por Jessica Mcgowan 21 set 2011, 14h58

O comitê de indultos da Geórgia (sudeste dos Estados Unidos) rejeitou nesta quarta-feira dois pedidos, um detector de mentiras e a reconsideração de sua clemência, apresentados pelo condenado à morte Troy David para evitar sua morte esta noite.

“O comitê rejeitou o pedido de reconsiderar sua decisão de 20 de setembro de 2011, negando a clemência para Davis”, afirmou em um curto comunicado a junta de cinco membros – três brancos e dois negros – que na terça-feira decidiu por maioria simples negar o indulto a Troy Davis, cuja execução por injeção letal está prevista para as 19H00 locais (20H00 de Brasília) em Jackson, sudeste de Atlanta.

Antes de emitir o comunicado com esta decisão, o mesmo comitê havia rejeitado um pedido de Davis para se submeter a um teste de polígrafo – detector de mentiras – para provar sua inocência, confirmou à AFP o advogado Brian Kammer.

Com estas últimas decisões, prossegue a contagem regressiva para Davis, no corredor da morte há 20 anos pelo assassinato do policial branco Mark MacPhail. Davis foi condenado à pena capital após um processo repleto de vícios judiciais que apresentaram dúvidas sólidas sobre a inocência do culpado.

A defesa de Davis, que se tornou um símbolo da luta contra a pena de morte, apresentou nesta quarta-feira a um tribunal do estado da Geórgia estes dois últimos recursos para que sua execução fosse suspensa, o que acabou não surtindo efeito.

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“Davis recusa a constitucionalidade de sua condenação à pena de morte fundando-se em novas provas”, afirma o documento entregue à justiça pelo advogado de Troy Brian Kammer.

Kammer ressaltou que a defesa tem condições de apresentar “provas” segundo as quais o médico legista que realizou a necropsia do corpo do policial morto deu “um falso testemunho” no relatório balístico no qual a justiça se baseou para pronunciar sua sentença.

Na terça-feira, o comitê de indultos da Geórgia rejeitou um recurso apresentado pelos advogados do condenado, que já escapou de três execuções graças a diversos recursos judiciais.

Apresentado por seus defensores como o exemplo do negro condenado injustamente, Troy Davis recebeu o apoio de personalidades como o ex-presidente americano Jimmy Carter, o papa Bento XVI ou a atriz Susan Sarandon e centenas de manifestações pedindo o indulto foram realizadas em todo o mundo.

Durante o processo, nove testemunhas do assassinato cometido em 1989 indicaram Troy Davis como o autor do tiro, mas a arma do crime nunca foi encontrada e nenhuma prova digital ou traço de DNA foi revelado. Depois, sete testemunhas se retrataram, mas isso não foi suficiente para convencer a justiça de rever seu veredicto.

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