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Garotinho é condenado a prisão por formação de quadrilha

Sentença não impede candidatura atual. Ex-chefe de polícia, Álvaro Lins recebeu pena de 28 anos. Todos os réus podem recorrer em liberdade

Por Da Redação 24 ago 2010, 16h16

Ação movida pelo Ministério Público Federal do Rio é resultado da operação Gladiador, que quebrou o sigilo fiscal de Álvaro Lins

A Justiça Federal do Rio condenou o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, candidato a deputado federal pelo PR, a dois anos e meio de prisão por formação de quadrilha e uso da Polícia Civil para cometer crimes como corrupção e lavagem de bens. A sentença não impede sua candidatura, uma vez que não foi proferida por um colegiado, como manda a Lei da Ficha Limpa, mas por um juiz, Marcelo Leonardo Tavares, da 4ª Vara Federal Criminal. O ex-governador chegou a ser condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio por abuso de poder econômico, mas obteve uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o manteve na disputa.

Ex-chefe de Polícia Civil do estado na gestão de Garotinho e ex-deputado, Álvaro Lins foi condenado, na mesma ação, por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de bens, com pena total de 28 anos de prisão. Outras seis pessoas também foram condenadas. Todos os réus podem apelar da decisão em liberdade.

A ação, movida pelo Ministério Público Federal do Rio, é resultado da operação Gladiador, que quebrou o sigilo fiscal de Lins. A Justiça verificou que a quadrilha praticava crimes como facilitação de contrabando e corrupção ativa e passiva. Em nota, o procurador da república Leonardo Cardoso de Freitas afirmou que “a sentença é positiva e reflete uma conquista no combate à corrupção e à impunidade no país”.

Os demais condenados são os policiais civis Alcides Campos Sodré Ferreira (cinco anos e nove meses de prisão por corrupção passiva); Daniel Goulart dois anos de reclusão por formação de quadrilha; Fábio Menezes de Leão (quatro anos e meio de reclusão por corrupção passiva; Mario Franklin Leite de Carvalho (11 anos e três meses de prisão e multa, por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de bem); e o ex-chefe de polícia Ricardo Hallak (sete anos e nove meses de prisão e multa, por formação de quadrilha e corrupção passiva).

A família da ex-mulher de Álvaro Lins também recebeu condenações. Francis Bullos, ex-sogro de Lins, foi condenado a quatro anos e meio de prisão e multa por lavagem de bem. Luciana Gouveia, que foi casada com o ex-deputado, pegou três anos de reclusão e multa pelo mesmo delito, que também rendeu a Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins pena de três anos e dez meses de prisão (lavagem de bem). Quatro outros réus investigados na Operação Segurança Pública foram absolvidos.

Em seu blog, Anthony Garotinho chamou de “perseguição” a condenação. “É de se estranhar o fato de ela (a condenação) ser anunciada justamente no período eleitoral, a 41 dias das eleições no país, e justamente quando todas as pesquisas de intenção de voto apontam meu nome como o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro. Enganam-se aqueles que acham tratar-se de uma mera coincidência”. O ex-governador pretende recorrer.

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